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O Bola da Vez é o espaço que o Vox News
reservou para, através de entrevistas, mostrar o trabalho e a
opinião de profissionais que estão se destacando no meio da
comunicação e daqueles de quem ainda vamos ouvir
falar...
Por Amanda Corrêa
A certeza pela profissão de publicitário demorou um pouco a chegar para Rodrigo Castellari. Depois de dois cursando cinema nos Estados Unidos, o criativo voltou ao Brasil e, ao apresentar seu portifólio a um diretor de arte de uma grande agência, ouviu que não tinha “o menor jeito para a propaganda”. A resposta negativa fez com que ele refizesse todo o trabalho para provar a si mesmo que o cara estava errado. Deu certo. Rodrigo encerrou o ano de 2005 como o diretor de arte mais publicado na revista alemã Archive, considerada uma das mais importantes publicações sobre publicidade. Aos 33 anos, acumula passagens pela Fischer América e age., onde está desde 2004.
Nesta entrevista, Castellari fala mais sobre a direção de arte, dificuldades e prazeres de se criar uma campanha e de como uma boa dupla funciona. Confira.
Vox News - Para começar, fale sobre sua carreira.
Eu comecei fazendo estágio numa agência pequena chamada Akttom. Depois fui morar em San Diego na California. Passei quase dois anos e fiz alguns cursos como Cinema na UCSD e um estágio numa agência local chamada O´Shaughnessy, Parr, além de trabalhar como entragador de pizza e recepcionista de hotel. Quando voltei fui trabalhar na Fischer, onde fiquei por quase três anos, trabalhando pra clientes como Nova Schin, Toyota, Vivo, Electrolux, Caixa, entre outros. Depois disso vim para a age., onde estou desde junho de 2004.
Vox News - Em que momento você teve certeza de que poderia seguir carreira em publicidade?
Foi na época de estagiário. Eu fui apresentar meu portifólio numa agência grande e o diretor de arte que me atendeu disse pra eu tentar outra carreira porque eu não tinha o menor jeito pra propaganda. Foi bom pra mim, porque eu saí de lá "p." da vida, refiz minha pasta inteira e consegui provar pra mim mesmo que ele estava errado.
Vox News - Como surgiu a vontade de trabalhar com criação, e, especificamente, direção de arte?
Eu sempre gostei de desenho (apesar de não desenhar bem) e quando eu era pequeno, adorava ficar retraçando logotipos que já existiam. Com isso, eu comecei a prestar mais atenção em propaganda. Eu gostava de pegar a Veja no domingo e ficar vendo os anúncios, naquela época em que rolavam um monte de idéias bacanas, e a Almap e DM9 ficavam disputando quais eram os melhores anúncios da semana. Daí pra criação e consequentemente direção de arte foi uma coisa meio natural pra mim.
Vox News - O que um profissional precisa para ser um bom diretor de arte?
Eu acho que basicamente 3 coisas. Ter bom gosto é fundamental. Estar antenado em novidades e tendências de preferência fora do mundo da propaganda. E principalmente não ter estilo. Não dá pra uma campanha de banco ficar parecida com uma de absorvente. O legal é ser versátil, saber usar todas as técnicas e ferramentas disponíveis a favor da idéia e da marca. Pra mim o bom diretor de arte é aquele que consegue fazer um bom anúncio com uma puta foto produzida, mas também se vira num outro só com um título e logotipo. Consegue fazer um filme bacana de letreiro, mas também manda bem numa super produção.
Vox News - Qual foi a campanha mais difícil que você já criou?
Num primeiro momento todas as campanhas parecem difíceis pra criar. Dá sempre aquele friozinho na barriga, tipo “será que eu vou conseguir fazer uma coisa legal com esse briefing?”, mas depois as idéias começam a aparecer e fica tudo bem. Na época da Fischer as campanhas da CAIXA eram mais difíceis e tinham uma cobrança grande. Mas hoje em dia o difícil mesmo não é criar, e sim aprovar as coisas que a gente cria. Eu sou totalmente a favor dessas campanhas contra a “bundalização” da propaganda.
Vox News - E a mais prazerosa?
Eu gostei muito de ter feito a campanha do VMB da MTV. Foi muito legal experimentar técnicas diferentes das quais eu estava acostumado. E foi bom também porque o processo aconteceu do jeito que deveria valer para todas as campanhas. Nós apresentamos as idéias em rafe pro cliente e depois gastamos nosso tempo tentando construir uma coisa nova sem ficar refém de referências. Eu acredito que só assim se consegue um resultado mais original.
Vox News - Existe "código de trabalho" para a dupla funcionar bem?
Eu acho que dupla funciona meio como um casamento. Tem que ter cumplicidade e principalmente respeito. Isso é importante pra, na hora de criar, um escutar o outro e fazer uma coisa que às vezes parece uma bobagem, virar algo bacana. Tem também o lance de um pilhar o outro. É comum às vezes a gente desanimar com uma idéia reprovada ou algo similar. Nessa hora o apoio do seu dupla é fundamental.
Vox News - Qual conselho ou dica você daria para quem está começando agora?
Seguir sempre em busca de idéias novas e tentar traduzi-las pro papel, pra TV, Internet, ou seja lá qual for o meio, da forma mais inusitada possível.
Vox News - Você tem alguma atividade paralela à publicidade?
Infelizmente não. Quem trabalha na criação sabe que é difícil arrumar tempo pra fazer qualquer coisa extra. Eu sou daqueles que fazem a alegria das academias, pago e não vou.
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