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O Bola da Vez é o espaço que o Vox News
reservou para, através de entrevistas, mostrar o trabalho e a
opinião de profissionais que estão se destacando no meio da
comunicação e daqueles de quem ainda vamos ouvir
falar...
Por Amanda Corrêa
Um profissional sempre fugindo do lugar-comum. É assim que André Matarazzo se auto define. Este publicitário de 32 anos começou a trabalhar com Internet em 1997, quando morava em Nova Iorque. Em busca de novas oportunidades, trabalhou no Canadá, Holanda, Suécia e Japão, durante um período de 6 anos.
Em sua volta ao Brasil, resolveu montar seu próprio negócio. Batizada de Gringo, a agência digital trabalha hoje com agências off-line, interativas, clientes diretos, projetos minúsculos interessantes ou projetos gigantescos interessantes. André conta que gosta de ser pequeno e ágil, pois assim se dedica de corpo e alma a cada projeto para que a qualidade fique sem igual. Confira mais na entrevista abaixo:
Vox News - Como surgiu seu interesse pela Internet?
Comecei a trabalhar com internet quando morava em Nova Iorque em 97. Sempre gostei de design, mas não sabia muito a respeito. E, também, sempre fui interessado por computadores. A internet estava nascendo no Brasil. Eu sugeri a meu pai que fizesse um site para sua empresa, que logicamente ficou monstruoso, mas serviu para me mostrar quão fantástica era essa mídia nova acessível a todos. Bastava aprender as ferramentas necessárias e ter o mínimo de bom gosto que você poderia produzir algo que estava ao alcance do mundo inteiro, simultaneamente. Me deixou fascinado.
Vox News - Fale um pouco da sua carreira?
Sempre tive muita sorte em minha carreira - soube pegar as oportunidades de ouro antes que elas esfriassem. Comecei trabalhando em Campinas para um provedor de acesso, fazendo sites, e depois bati na porta da Thunderhouse, da McCann-Ericson com toda a coragem e me ofereceram um emprego. Quando notava que estava estacionando, e ensinando mais do que estava aprendendo, ou via alguma oportunidade bacana em outro lugar, nunca pensava duas vezes e sempre ia atrás. Foi assim que trabalhei no Canadá, Holanda, Suécia e Japão em 6 anos. Nesse período todo tive uma curva de aprendizado dura. Sempre que me sentia seguro, procurava outros desafios, e acho que me faz o profissional que sou hoje: sempre fugindo do lugar-comum.
Vox News - Quando nasceu a Gringo e como vocês estão estruturados?
Em 2006 resolvi montar a Gringo em São Paulo, porque notei que o mercado online no Brasil estava defasado se comparado com o resto do mundo. Ouvia de pessoas do meio coisas do tipo "o cliente não entende", "no Brasil não dá" e coisas do tipo. E sempre achei que tudo dava, só faltava alguém mostrando o "porque" que determinada solução não só é possível, como também é a mais indicada.
Hoje somos 4 pessoas e trazemos mais profissionais de acordo do a solução desejada. Gosto de poder ser pequeno e ágil, dedicado de corpo e alma a cada projeto para que a qualidade fique sem igual, e poder chamar profissionais específicos freelances para projetos incríveis. Se precisamos de uma ilustração assim ou assado, sei exatamente quem é o profisisonal no Brasil que tem esse perfil. Então, nos adaptamos às necessidades do projeto, e não o projeto à estrutura da agência.
Vox News - O que há de diferente no mercado hoje em comparação a quando você começou?
Basicamente tudo. Naquele tempo a internet era um bicho desconhecido e nem mesmo as próprias agências que tinham um setor online sabiam bem para que servia. Os budgets e jobs nos chegavam como uma rebarba que sobrou da mídia offline, ou, por acaso, o cliente achava que "ter um site" era bacana. Não estamos falando da Fábrica de Colchões do Zezinho, e sim de Ford e Bayer e outras grandes marcas.
Naquele tempo a usabilidade era nula e até os objetivos dos projetos eram ao sabor do vento.
Hoje isso mudou totalmente. A web gera uma cifra cada vez maior, ano após ano, invadindo o espaço que era offline. Tudo amadureceu nesse meio tempo, e dentro de mais alguns anos tenho certeza de que estaremos cabeça a cabeça com a mídia tradicional, que tende a perder espaço.
Vox News - Grande parte dos trabalhos da Gringo são internacionais. Como vocês prospectam seus clientes?
Temos uma parceria com um conglomerado de agências européias e japonesas, portanto alguns de nossos trabalhos vêm diretamente do Japão. Outros clientes são através de contatos múltiplos que fiz durante esses anos com profissionais incríveis do mercado. Acho que vendemos um diferencial tanto para o mercado interno quanto para o mercado externo e acho que isso cria uma boa simbiose.
Vox News - Existem limites para a propaganda digital?
Sim... mas acho que os limites são apenas barreiras que precisam ser repensadas. Por exemplo, na web não podemos impactar um usuário da mesma maneira que um outdoor gigante impacta. Mas ao mesmo tempo, qual o mais eficaz? Qual vende mais? Qual o melhor custo x benefício para a marca? Os limites de espaço e conexão fazem surgir respostas novas, que acabam suplantando as respotas antigas. Eu, por exemplo, acho que essa profusão de outdoors aleatória, invadido e enfeiando a cidade, tende a reduzir muito.
Vox News - Como um profissional de web se mantém atualizado?
A web é um meio incrivelmente democrático. Quem entra em portais de design e propaganda hoje, verá e poderá interagir com sites lançados naquele dia, e pode acompanhar passo-a-passo a evolução dessa nova mídia. Eu acho que estar ligado a sites que agrupam sites top de linha, comprar alguns bons livros de design eventualmente e ler uma matéria ou outra sobre tendências do mundo digital faz com que você tenha a mesma informação que 98% do resto do mundo tem. É um mundo muito meritocrático.
Vox News - Como você imagina que a mídia online estará daqui a 10 anos?
Não consigo nem chutar como ela estará daqui a 5 anos. A mídia digital muda tão depressa que qualquer palpite para mais de 2, 3 anos é quase exotérico. Num curto prazo, acho que muito dinheiro da mídia offline migrará para online. Com a penetração de banda larga no mercado nacional, veremos soluções digitais que utilizam recursos mais avancados, como TV, música, 3D, ambientes comunitários mais especializados etc. Dentro de alguns anos acho que o "eletrodoméstico" mais usado de um lar será o computador. E, isso por si só, implica em mudanças drásticas de como a propaganda terá que se adaptar a nova realidade.
Vox News - Quais são os principais trabalhos da Gringo?
Os trabalhos da Gringo gravitam em torno de soluções de branding de alto-impacto criativo e tecnológico, como uma veia gigante de entretenimento. Fazemos sites que, se não fossem nossos, babaríamos e mandaríamos para nossos amigos. Por isso acho que sites de Branding são um filão muito legal para trabalhar.
Temos trabalhos que vão desde o nosso site gringo.nu até trabalhos internacionais para o Grupo Nobis (Suécia), IBM (Japão), Sony (Japão), Nikkei Agency (Japão) e um novo site viral que vai dar o que falar para um cliente brasileiro. Estamos felizes em poder nos concentrar em apenas 1 ou 2 projetos por vez e fazer o melhor que existe em web hoje.
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