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O Bola da Vez é o espaço que o Vox News
reservou para, através de entrevistas, mostrar o trabalho e a
opinião de profissionais que estão se destacando no meio da
comunicação e daqueles de quem ainda vamos ouvir
falar...
Por Amanda Corrêa
O diretor de arte Sérgio Lobo e o redator Tomás Correa se encontraram na Leo Burnett Lisboa há um ano e já são a dupla que mais fez por Portugal nesta última edição de Cannes. Eles foram responsáveis por 7 shortlists dos 30 que o país obteve. E dos quatro Leões que foram para terrinha, dois são deles. Um de prata e outro de bronze com a peça Christmas Gift para instituição Bola Amiga. Antes disso, já tinham conquistados prata e bronze no Fiap, prata no El Sol e prata no Clube dos Criativos de Portugal.
Tomás, paulista, está no mercado há 6 anos. Veio da DPZ e está há 2 anos e meio na Leo Burnett Lisboa. Sergio Lobo ex-Giovanni,FCB Rio é carioca e tem 10 anos de mercado. Veio para Portugal em agosto do ano passado e desde aí os dois começaram a duplar.
O Vox News foi conversar com os dois para descobrir o que atrai tantos brasileiros a Portugal. Nesta entrevista, eles falam mais sobre as diferenças culturais, da experiência no mercado português e do preconceito. Confira.
Vox News - O que levou vocês a arriscarem uma oportunidade na Europa?
SL: Pintou a oportunidade de vir pra Portugal onde o mercado está em crescimento. Sem contar que estaria morando na Europa, conhecendo uma cultura diferente e podendo ter uma qualidade de vida que é muito, mas muito superior a do Brasil.
TC: Sempre tive vontade de viver fora do Brasil. Era um sonho que sempre existiu. E quando surgiu a oportunidade de fazer, juntando o lado pessoal e o profissional, fiz as malas e fui. Viver na Europa era, para mim, estar próximo das principais referências artísticas e num mercado muito mais aberto que o brasileiro. Portugal, além de sofrer influência da nossa publicidade, vai buscar coisas também na Espanha, na França, na Argentina, EUA. Aqui na Leo já filmamos na Argentina, no Brasil, nos EUA para clientes da Grécia e Bélgica por exemplo. Além de tudo isso, pode juntar uma qualidade de vida melhor. O europeu no geral valoriza isso.
Vox News - Como foi a entrada no mercado português?
SL: Não foi muito difícil. Os portugueses sabem que a publicidade brasileira é muito boa. Por isso estão importando muitos profissionais do Brasil.
TC: Foi tranqüilo. Quando cheguei aqui, o mercado já tinha muitos brasileiros. Inclusive, o meu diretor de criação, que era o Alexandre Okada. Isso facilitou muito a adaptação.
Vox News - Quais as diferenças entre a propaganda européia e a brasileira?
SL: Acho que não podemos analisar a publicidade européia como um todo. São muitos países diferentes, com culturas diferentes. Enquanto vemos uma Inglaterra com um humor refinado, diferente do Brasil que é mais escrachado, vemos também Portugal quase sem humor nenhum e com muitos trocadilhos. Enquanto vemos uma expectativa muito alta com relação à França, principalmente pelos últimos festivais, vemos uma Itália estagnada e sem nenhuma expectativa. Além disso tem também a Espanha muito parecida com a Argentina.
TC: No Velho Continente, cada país aqui tem as suas particularidades. Mas se posso destacar um ponto principal é a diferença na produção de filmes. Mas se por um lado a Europa se destaca em filmes o Brasil também se destaca em mídia impressa.
Vox News - Qual a maior dificuldade que encontraram no exterior?
SL: Com relação ao trabalho, não muita. Afinal, os portugueses estão querendo tirar o máximo de nós brasileiros, e isso é bom, nos incentiva a mostrar sempre o que temos de melhor.
TC: A principal dificuldade, para mim, foi o fato de ser estrangeiro. Por mais que a gente sinta-se em casa, somos sempre estrangeiros.
Vox News - Como os europeus vêem o trabalho dos brasileiros?
SL: A publicidade brasileira é muito forte e reconhecida no mundo todo. Aqui na Europa não é diferente. Eles sabem que somos uns dos melhores, principalmente em mídia impressa. Acho que eles nos vêem assim, os melhores em impressa.
TC: O Brasil já alcançou seu lugar entre os melhores, principalmente em mídia impressa. Isso vem aparecendo seguidamente nos festivais. O resultado disso é a quantidade de brasileiros ganhando leão por outros países. Não só aqui na Europa, como no mundo todo.
Vox News - E qual a importância que os portugueses dão ao Festival de Cannes?
SL: Cannes é o termômetro pra eles. Se eles ganham leão em Cannes, sabem que a publicidade deles está melhorando. Admiram muito quem ganha ou já ganhou leão.
TC: Cannes aqui é tão importante como no Brasil. A diferença é que, como o mercado é menor e não tem tantos leões como o nosso país, a repercussão é muito maior.
Vox News - Vocês pretendem voltar para o Brasil?
SL: Claro! Brasileiro que é brasileiro gosta da bagunça, da desorganização. (rs...)
A experiência de morar e trabalhar fora é sensacional, mas, pelo menos pra mim, tem data pra acabar. Ainda mais que no Brasil tem muito mais oportunidades para crescer e fazer um trabalho realmente de primeira.
TC: Sem dúvida. Não dá para abrir mão do mercado brasileiro. Até porque sou brasileiro, minha música é brasileira, minha cerveja é brasileira e minha praia (quando dá tempo) é brasileira.
Vox News - E na vida diária mesmo, rola um preconceito com os imigrantes?
SL: Viver fora do seu país é sempre difícil. Você é sempre estrangeiro, imigrante. Qualquer briga de trânsito vira uma questão racial. Não é difícil você escutar um espírito de porco dizendo: “Volta pro teu país, ô brasileiro do caraças!”
TC: Tem sim. A história que o Serginho conta aconteceu. Estávamos os dois juntos.
Vox News - E quando a saudade bate ...?
SL: Como agora? (rs...) Acho que quem inventou o Skype morava longe de casa. Mas tem uma coisa muito bacana quando se está fora. Os brasileiros se ajudam. Uma sensação de: “estamos todos no mesmo barco”.
TC: Quando a saudade bate, sai discando 005511.
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