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O Bola da Vez é o espaço que o Vox News
reservou para, através de entrevistas, mostrar o trabalho e a
opinião de profissionais que estão se destacando no meio da
comunicação e daqueles de quem ainda vamos ouvir
falar...
Por Amanda Corrêa
Há mais de 25 anos no mercado, Ricardo Leite atua hoje como diretor da Crama Design Estratégico, uma das mais conceituadas agências de design do Brasil.
Ricardo deixou sua marca em grandes projetos para o mercado fonográfico sendo responsável por centenas de capas de disco para artistas como Os Paralamas do Sucesso, Legião Urbana, Zé Ramalho, e caixas de luxo para Chico Buarque e Caetano Veloso, entre outros. Um dos seus mais conhecidos projetos é a série de livros para Luis Fernando Veríssimo onde Ricardo esculpe o autor em bonequinhos de barro.
Hoje, comemora um bom números de clientes corporativos, para os quais vem desenvolvendo projetos de comunicação corporativa, endomarketing, revitalização de marca, etc. Entre eles, a primeira loja de franquia da Oi direcionada para o novo conceito de shopping de telecomunicações e convergência de serviços, ações internas e estratégicas para a Petrobrás, além de exportar seu know para a Angola, onde já vem trabalhando para a Sonangol, companhia nacional de petróleo da Angola.
Nesta entrevista, o publicitário fala mais de sua trajetória, projetos antigos e recentes, sobre o design brasileiro e planos para o futuro. Confira.
Vox News - De onde surgiu o interesse por design?
O design surgiu meio por acaso. Desde a minha infância fixei-me na meta de ser um desenhista de quadrinhos e por isso, quando fiz vestibular escolhi a Escola de Belas Artes. Na EBA, o que mais se aproximava de HQ era o curso de Projeto Gráfico. Em pouco tempo aprendi os recursos do que na época denominava-se de programação visual, e descobri que as escolhas tipográficas, o projeto gráfico de uma revista, um sistema de sinalização ou a conceituação e design de marcas e seus programas de identidade visual também eram uma espécie de ilustração ou arte seqüencial. Passei a me interessar sobre teoria e história do design, que lia nas poucas revistas especializadas em design que chegavam ao Brasil na década de 70. Quando me formei em desenho industrial, em 1980, confesso que ainda tinha uma indefinição grande entre ser um ilustrador ou um designer. Mas, o design é um universo fascinante e aos poucos se sobrepôs ao desenho artístico. Hoje, a ilustração é uma ferramenta extra para os projetos, como aconteceu, por exemplo, nas capas que projetamos para a coleção Veríssimo quando faço esculturas caricaturizadas do autor. Mesmo num tratamento de uma foto, os conhecimentos de desenho, claro e escuro, luz e sombra, ou anatomia fazem uma enorme diferença, assim como os meios de representação da forma são fundamentais para criação de marcas, por exemplo. Dos aspectos conceituais aos formais, a formação artística somou-se às técnicas.
Vox News - Conte-nos sobre sua trajetória e da criação da Crama Design Estratégico
Desde muito cedo trabalhei para agências de comunicação ou propaganda na criação de peças corporativas, como folhetos institucionais ou relatórios anuais, peças promocionais ou design de logos. Talvez por também ter formação em Comunicação Social, com especialização em jornalismo e publicidade propaganda, eu tivesse uma abordagem de design um pouco mais estratégica e conceitual. Outro momento importante aconteceu em 1983, quando eu retornei ao Brasil após um ano na Europa. Caí no meio do movimento do Rock Brasil e fui convidado para fazer a capa do primeiro disco dos Paralamas do Sucesso. Eu chegava impregnado de influências estéticas do punk-rock, muito mais livre do que o design fundamentado na escola suíça ou alemã que reinava nos círculos mais puristas.
Na seqüência, fiz o primeiro disco da Legião Urbana e, então, o mercado fonográfico abriu-se. Passei a ter dois focos de atividade: o que poderia classificar como design mais corporativo e os projetos fonográficos. Pouco a pouco, eu, que trabalhava sozinho, tinha mais trabalhos que dava conta. Em 1989, completamente enlouquecido, contratei o meu primeiro assistente. Em 1991 formei a antiga Pós Imagem Design. Durante mais de 10 anos criamos projetos culturais que nos deram muita visibilidade, enquanto que os mais corporativos ficavam pouco divulgados. Em 2005 a agência já tinha mais de 40 profissionais em sua equipe, e foi renomeada como Crama Design Estratégico. Entre 2004 e 2005 fizemos grandes investimentos e ampliamos as áreas de atuação da agência.
Evoluímos para um novo formato, alinhado com as melhores empresas de design do mundo, e para tangibilizar este novo posicionamento reinventamo-nos como Crama Design Estratégico.
Vox News - Quais os serviços oferecidos pela Crama?
Para verdadeiramente responder aos desafios e objetivos corporativos de nossos clientes, a Crama possui uma equipe experiente e multidisciplinar de design gráfico, design de produto, arquitetura, redação, ilustração, atendimento e planejamento de comunicação.
Nossos serviços abrangem: construção de marca, comunicação corporativa, comunicação de ponto-de-venda, comunicação interna e comunicação cultural. Detalhando um pouco mais, fazemos a criação de uma marca, suas definições estratégicas, o sistema de identidade visual corporativa, e a sua manualização; projetos do que chamo de literatura corporativa, ou seja, relatórios anuais, folhetos, livros, passando por web e multimídias institucionais; projetos de estandes, lojas, compreendendo a arquitetura, a ambientação, mobiliário, toda a comunicação, material promocional, embalagens, quiosques, displays e expositores; o planejamento de campanhas de endomarketing, suas identidades visuais, criação de brindes, ou criação de campanhas promocionais; e, como não poderia deixar de ser citado, fazemos projetos editoriais e fonográficos.
É importante destacar que o que une as ofertas, e nos diferencia da maioria das empresas de design, é uma análise e abordagem estratégica.
Vox News - Como vocês estão estruturados e como funciona a metodologia de trabalho?
Os projetos são orientados por bases metodológicas voltadas para a efetividade do design. Aliás, hoje eu acredito que um dos maiores diferenciais que temos está nesta equipe de planejamento, que diagnostica junto ao cliente os seus objetivos e as necessidades do mercado, deixando então o projeto de design e comunicação alicerçado por bases sólidas. É claro que o design é a base fundamental do trabalho, pois é nele que toda a estratégia fica tangibilizada.
Para isso temos uma equipe de profissionais criativos muito talentosos e experientes. Uma de nossas características de trabalho que gosto de ressaltar, por ser absolutamente verdadeira, é que procuramos trabalhar de modo colaborativo com nossos clientes. Sempre trazemos o cliente para o processo criativo, convidando-o a opinar, ouvindo-o. Suas opiniões são preciosas para que o nosso time chegue aos melhores resultados.
Vox News - Quais foram os projetos mais recentes e de mais destaque?
O que vem imediatamente à minha cabeça é o projeto da nova loja Oi, que foi recém inaugurada no Barra Shopping, no Rio de Janeiro. É uma loja piloto para a nova rede de lojas Oi que projetaremos para todo o país. O projeto levou 1 ano sendo pesquisado e projetado, o que incluiu viagens à Espanha, Itália, França e Inglaterra, para estudarmos tendências do mercado de telefonia, reuniões com representantes de grandes players internacionais como Vodafone, France Telecom, ou Orange, visitas à lojas nas principais capitais destes países.
Na volta, nossa equipe desenvolveu algo absolutamente novo, diferente de tudo o que encontramos, mais adequado à realidade do mercado brasileiro. O resultado foi uma loja inteligente, onde o conceito de shopping telecom traduz a tendência de convergência tecnológica que a Oi representa melhor que qualquer outra operadora nos dias de hoje. É interessante perceber que este é o típico projeto que só é possível ser desenvolvido pelas expertizes multidisciplinares e complementares existentes em nossa equipe e que citei acima, e pelo trabalho colaborativo com o cliente.
Outro belo projeto é o que estamos desenvolvendo para a Sonangol, empresa de petróleo de Angola. É a Petrobras deles. Fomos contratados para fazer o redesign da marca e normatizar a identidade visual da empresa. É um projeto muito grande, no qual trabalhamos ao longo dos dois últimos anos. Criamos um sistema visual que garantisse uma imagem forte e organizada para a empresa, estabelecendo regras para o desdobramento das peças corporativas e de comunicação de modo sólido e seguro. Hoje, a Sonangol tem uma imagem contemporânea e dinâmica, distante da anterior, que traduzia uma empresa estatal criada na década de setenta.
Vox News - Como você analisa o design brasileiro hoje?
O design de um modo geral passa por um excelente momento em todo o mundo, e não poderia ser diferente no Brasil. Os clientes conscientizaram-se de que o design é um dos maiores diferenciais estratégicos para se obter resultados. A publicidade propaganda continua sendo fundamental para o sucesso de uma marca ou produto, mas o produto em si é definido cada dia mais pelo seu design. Se a tecnologia, os benefícios, ou atributos são muito parecidos, outrora os principais diferenciais influenciadores para a decisão de compra, muito da escolha vai ser dirigida por elementos formais, que atingem nosso emocional, e neste campo o design atua com muita força. Por isso, tanto os clientes quanto as agências de propaganda, aproximaram-se das agências de design, e o nosso mercado cresceu muito em valor estratégico. Sem uma boa solução de design o produto não tem chance. Além disso, existe muito mais informação sobre design disponível, basta ver-se a quantidade de livros e revistas publicadas sobre o assunto, o que faz com que os novos profissionais estejam muito mais maduros e conscientes de suas funções. Nesta sintonia, existe um público consumidor mais exigente.
E, sinergicamente, voltamos para o produto que precisa ser atualizado em prazos cada vez menores. Em termos oficiais e de investimentos na área temos encontrado programas de design no âmbito dos governos federal, estadual ou municipal. O governo brasileiro já descobriu que se o produto nacional não tiver uma cara brasileira, se ele for uma cópia dos produtos encontrados em outros países, ele será exportado por valores muito menores. Ele entra na negociação depreciado, muitas vezes perdendo mercados importantes.
Vox News - Quais são os planos para o futuro?
Em relação ao futuro a meta é consolidar a Crama como uma das melhores agências de design estratégico do Brasil. Para isso, trabalhamos cada projeto com o compromisso do resultado. Estamos muito focados em soluções efetivas, mas com a consciência de que é na ousadia que está a maior oportunidade de destacar-se. Para que isto aconteça investimos em nossos profissionais, gente inquieta e criativa, para que aliem à maturidade de uma empresa de 15 anos uma saudável transgressão. Crama significa creme em latim, e, como pode ser encontrado no dicionário Houaiss, possui como sentido figurado: o melhor de um conjunto de pessoas. Eu costumo dizer que as pessoas que trabalham aqui não podem achar que tem um emprego, elas devem entender que fazem parte de um projeto. Portanto, a outra meta é fazer daqui um ótimo lugar para se viver.
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