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O Bola da Vez é o espaço que o Vox News
reservou para, através de entrevistas, mostrar o trabalho e a
opinião de profissionais que estão se destacando no meio da
comunicação e daqueles de quem ainda vamos ouvir
falar...
Por Amanda Corrêa
Marcelo Takeo, jovem diretor da VCA Filmes, sempre teve admiração por formas de expressão, analisando a maneira como impactam as pessoas, transmitem idéias, informam e despertam emoções e discussões. Takeo se formou em desenho e arte aplicados à arquitetura, e, como sempre gostou de computador e tecnologia, se dedicava no paralelo à computação gráfica. A publicidade veio um pouco mais tarde, em sua segunda graduação pela ESPM. “Naquela época buscava também a proximidade com as inovações tecnológicas e a agilidade que o cinema no Brasil não possuía ainda”, diz ele.
No início de sua carreira o diretor passou por estúdios de filmagens e gravações de áudio e por diversos departamentos de produtoras de filmes publicitários. Hoje, Takeo é diretor fixo da VCA filmes, atuando principalmente na matriz da produtora em São Paulo. Nesta entrevista o diretor nos fala mais de sua carreira, influências e trabalhos recentes. Confira.
Vox News - O que te levou a dirigir filmes publicitários?
Desde os 10 anos de idade sou fascinado pela sensação que o cinema causa nas pessoas. Sempre quis participar de alguma forma dessa arte, conversar com determinado público, emocionar, contar uma história.
Dessa forma, a comunicação foi um caminho natural que segui. Eu já trabalhava com computação gráfica, design e arquitetura. Mas o que queria era uma profissão que utilizasse vários meios de expressão, além do visual. A publicidade foi a minha escolha, e desde os primeiros meses na ESPM procurei aliar o meu sonho de criança com o dinamismo que procurava na profissão.
Estagiei no estúdio de vídeo da faculdade e em produtoras de comerciais. O meu dia-a-dia era a publicidade, na teoria e na prática. Fui assistente de arte, de montagem, editor, assitente de direção. Finalmente tive a oportunidade de dirigir alguns trabalhos. Os mais simples de início... Mas já dava para perceber que era isso mesmo que eu queria seguir.
Vox News - O que te fascina na direção para publicidade?
O dinamismo. "Orquestrar" toda equipe e todos os elementos que são precisos para chegar no resultado final.
Num prazo de menos de 10 dias discutimos, filmamos, sonorizamos e aprovamos um filme. Em seguida estamos prontos para outro job completamente diferente. Isso quando não conciliamos jobs diferentes ao mesmo tempo!
Vox News - O que você sentiu quando viu pela primeira vez um comercial seu?
Sensação de dever cumprido. Um certo orgulho num primeiro instante. Depois, aquela sensação de frustração de que poderia ter feito diferente, poderia ter feito melhor. Um plano mais fechado, uma expressão diferente. Descobri mais tarde que sempre me sentiria assim, a cada trabalho realizado. É intrínseco da nossa profissão desejar ter feito
melhor do que conseguimos. Talvez isso seja de qualquer ser humano que trabalha com o que gosta, mas quem é dessa área sabe bem do que estou dizendo.
Vox News - Quais filmes com sua assinatura você destacaria?
Os comerciais que realizei para a Copagaz. São filmes com uma linha de comunicação com a qual me identifico,
onde pude explorar maior liberdade de criação, tanto na decupagem quanto na finalização. Considero o resultado excelente!
Vox News - De quais diretores você tira sua inspiração?
O grande barato da nossa profissão é que podemos nos inspirar em qualquer forma de comunicação. E inspiração é diferente de gosto, ou identificação. Eu costumo dizer que cada filme, cada cena, cada fotograma ou frame pode me inspirar. Nossa profissão nos permite isso. Não importa com qual diretor eu me identifique mais, se com Woody Allen, Spielberg, Almodóvar, Walter Salles, Tarantino ou Fernando Meireles. Eu diria que todos, com seus gêneros diferenciados são minha fonte de inspiração.
Vox News - O que você acha do atual momento do cinema nacional?
O cinema nacional aparenta um futuro promissor. Atualmente vemos frequentemente nas salas de circuito comercial os filmes nacionais. Talvez a época em que estejamos vivendo seja menos preconceituosa, e ao mesmo tempo temos um público mais informado e conseqüentemente mais exigente. Ainda temos o nosso cinema na mão de poucos e os altos custos são ainda uma forma de elitizar esse setor. Mas acredito que os primeiros passos para tornar essa arte numa indústria já foram dados. Resta saber se o lance de "uma câmera na mão e uma idéia na cabeça" - com a ressalva de que ambas sejam boas -, conseguirá ou não um bom patrocínio.
Vox News - Você gostaria de dirigir um longa?
Certamente. É um grande sonho.
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