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O Bola da Vez é o espaço que o Vox News
reservou para, através de entrevistas, mostrar o trabalho e a
opinião de profissionais que estão se destacando no meio da
comunicação e daqueles de quem ainda vamos ouvir
falar...
Por Amanda Corrêa
Jean Benoit "JB" Crepon deixou a França e fez sua vida profissional no Brasil, entre o Rio de Janeiro e São Paulo. Este francês, que há 34 anos vive em nosso país, é responsável pela fotografia de uma porção de filmes que já vimos na televisão. Como diretor de fotografia é o responsável pela imagem de um filme. Sua participação na produção de um comercial/filme é extremamente relevante, pois todo o design da luz do filme, que concebe as características estéticas dos tipos de iluminação para cada plano, dependem de sua visão.
Em sua trajetória já trabalhou com renomados diretores como Carlos Manga, João Daniel Tikhomiroff, Chico Abreia, Bruno Barreto, Arnaldo Jabor, Rodolfo Vani, entre outros, e diz que com cada um aprendeu a diversificar as luzes e conhecer novas experiências. Agora, planeja para 2007, fazer o caminho inverso e procurar novas experiências na Europa.
Nesta entrevista, Crepon nos conta mais detalhes de sua carreira, suas inspirações, particularidades de seu trabalho e planos para o futuro. Confira.
Vox News - Gostaria que você me contasse como começou sua carreira.
A primeira vez que senti vontade de segurar uma câmera foi quando vi meu pai filmando a família com uma câmera Beaulieu 8 mm e ele não quis me emprestar pelo fato de custar caro. Depois, quando tinha 14 anos, vi meu tio sentado numa moto filmando o 'Tour de France'.
Quando fiz o serviço militar (obrigatório na França) as coisas começaram a mudar, tive a sorte de ser repórter/ fotográfico da revista TAM (Terra Ar Mar) enquanto servia o Exército, em 1971.
Mas a verdadeira chance de aprender a fotografar, na técnica e na alma, foi com meu tio e mestre, René Persin (diretor de fotografia falecido em 2002), que me chamou para fazer um estágio de seis meses no Rio de Janeiro na produtora dele, a PPP (Persin Perrin Produções).
Vox News - O que levou um francês a se radicar no Brasil profissionalmente?
Trabalhando com meu tio comecei a entender a fotografia de cinema. Ele era muito exigente e várias vezes me dizia para voltar para França, mas eu resistia, porque já começava a gostar do Rio e da minha profissão.
A partir de 1994 me estabeleci em São Paulo e de novo dei um upgrade na minha carreira. Como Diretor de Fotografia e Diretor de Publicidade, tive a oportunidade de trabalhar no mercado paulista e fui bem recebido por diretores como João Daniel, Clovis Mello, Rodolfo Vani, Zé Pedro, Mara Mourão e tantos outros...
Trabalhando como Diretor de Publicidade (carreira iniciada paralelamente em 1989 no Rio) fiz também bons trabalhos com Diretores de Criação e Agências em São Paulo e no Rio.
Em 1997 me aventurei no Longa Metragem "A Hora Mágica" de Guilherme de Almeida Prado e ganhei o Prêmio Best Photography - Miami/1999. Já havia feito meu primeiro Longa em 1987, "Sonhos de Menina Moça" de Teresa Trautman.
Vox News - Quais suas inspirações?
Fiz muitos documentários (Xingu/1975, Usina de Angra I /1975 -1980, Bolívia/1976, Documentário nos Andes/1976). De 1975 a 1980 filmei muito em diversas urbanidades, várias cores, pessoas e muita natureza. Virei Diretor de Fotografia registrado em 1978.
Depois de sair da PPP, em 1980, a publicidade me atraía e comecei então a fazer um caminho solo, a princípio no Rio e depois em São Paulo.
Procurei os melhores comerciais para fazer (claro!) e busquei trabalhar com os melhores Diretores da época (alguns dos quais trabalho até hoje), pois assim eu poderia fazer bons filmes. Uma coisa fundamental no nosso trabalho é um bom orçamento, porque a câmera, a luz necessária, assim como a película custam caro. O bom profissional custa caro porque é bom.
Vox News - Na sua opinião, quais as principais diferenças entre a publicidade européia e a brasileira?
Na Europa o Diretor de Fotografia é mais especializado (principalmente na publicidade); fotógrafos de cabelos, fotógrafos de carros, fotógrafos de pessoas, fotógrafos de alimentos, etc...
No Brasil a gente faz um pouco de tudo, de luz européia à luz tropical, não acho que aqui o Diretor de Fotografia tem uma especialidade e considero isso bom.
Existem excelentes fotógrafos no Brasil, tudo é possível, até algumas vezes trabalhar sem referências fotográficas.
Vox News - Qual a principal característica de seus trabalhos?
Gosto de Dirigir e Fotografar. Para mim a química na relação Diretor/Fotógrafo é fundamental para o resultado do filme, a confiança e a cumplicidade entre os dois melhoram o filme.
Acho que sou um Diretor de Fotografia 'eclético', valorizo sempre o Diretor e o Produto e faço a luz que o filme necessita.
Acho também que a luz não pode ser a estrela do filme, o legal é nunca perceber de onde vem a Luz, o importante é que você goste da Luz.
Com a mudança de sensibilidade das películas em 35 mm, ficou mais fácil imprimir o negativo, as lentes também são mais sensíveis e com o Telecine para concertar e melhorar, devemos ser mais sutis na hora de fotografar.
Por isso penso, que hoje a Fotografia às vezes tende à ser mais padrão, mais de referências, principalmente na publicidade ao contrário de um Longa ou de outros projetos de Luz.
Vox News - Cite alguns de seus trabalhos de maior destaque.
Trabalhei com diretores como: Carlos Manga, João Daniel Tikhomiroff, Chico Abreia, Sargentelli Filho, Bruno Barreto, Arnaldo Jabor, Duda Mendonça, Silvio Campos Silvo, Rodolfo Vani, Mario Textor, e aprendi a diversificar as minhas luzes e conhecer novas experiências. Meus filmes, alguns marcaram época como: Gelol - "Não basta ser pai tem que ser Gelol"; De Millus - "Mulheres jogando futebol de sutiã com homens de ternos"; Casas Pernambucanas -"Trenzinho".
Vox News - Quais os planos para 2007?
Em 1999 eu me associei a Cine de Raul Doria e Clovis Mello, como Diretor de Publicidade e Diretor de Fotografia, ali pude melhorar meu trabalho como Diretor e lapidar meu trabalho fotográfico nos filmes do Clovis Mello.
Hoje, já sem a exclusividade à Cine, busco a continuidade do meu trabalho tanto na publicidade quanto na realização de Longas. Não somente no Brasil, como na Europa busco algumas agências que poderiam me dar oportunidades. Sei que meu nome e minha experiência foram feitos no Brasil, mas busco oportunidades fora do país também.
Vox News - Quais serão as principais tendências para um futuro próximo?
Estamos na tecnologia Digital, pouco a pouco as pessoas vão se acostumando a ver novelas ou filmes em HD, principalmente os nossos filhos (que já desconhecem a textura do 8mm, 16mm ou 35 mm).
Mesmo com futuras tecnologias, a luz sempre será importante na hora de criar um clima, uma tendência, uma emoção, essencialmente com muita sutileza e amor.
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