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O Bola da Vez é o espaço que o Vox News
reservou para, através de entrevistas, mostrar o trabalho e a
opinião de profissionais que estão se destacando no meio da
comunicação e daqueles de quem ainda vamos ouvir
falar...
Por Redação
A publicidade online vem se consolidando como uma mídia de massa, porém com fortes características de segmentação, interatividade e relevância. Esta é a opinião de Pedro Ivo, diretor-executivo da Riot, agência de marketing viral associada a Womma (World of Mouth Marketing Association), entidade sediada em Chicago, EUA, que reúne as principais empresas especializadas em buzz marketing e marketing viral do mundo. Ela foi criada com a intenção de fomentar o marketing boca-a-boca online e criar um código de ética nas relações entre agências, formadores de opinião e consumidores.
Pedro trabalha na área desde meados dos anos 90, quando ainda não havia papéis definidos na área. Depois de se familiarizar com alguns livros de programação e com o Photoshop foi em busca de seu primeiro estágio. Alguns anos depois, mudou-se para os EUA, onde aprendeu a trabalhar com Arquitetura de Informação. De volta ao Brasil, passou pela Promon IP e depois seguiu para a AgênciaClick, onde permaneceu por mais de 3 anos, aprendendo sobre planejamento e coordenação de projetos. Assim, com uma ampla bagagem nas costas, surgiu o desejo de montar seu próprio negócio, que é um dos principais assuntos desta entrevista. Confira.
Vox News - Quando surgiu o seu interesse pela Internet?
Eu acessava Internet desde a época das BBSs, que foram os embriões dos provedores de acesso no Brasil. Grandes provedores de acesso, como o Mandic, em São Paulo, e o Centro In, no Rio de Janeiro. Nasceram dessas pequenas
redes que já existiam no país desde a década de 80. Nelas, já havia email, troca de arquivos, salas de chat e - tirando os web-sites - todos os fundamentos que posteriormente constituiriam a Internet como conhecemos
hoje. A Internet surgiu no país dentro desse contexto, muito mais textual do que gráfico. E foi lá que surgiu o meu interesse.
Vox News - Fale um pouco da sua trajetória nesse mercado.
Nos anos 90, não havia ainda papéis definidos de mercado. A grande figura era o webmaster, que traduzindo pro bom português, era o "faz tudo". Uma espécie de zelador virtual que assoviava, chupava cana e dançava lambada ao mesmo
tempo. Sendo assim, li alguns livros de programação, apanhei do Photoshop e montei o meu site. Como sou carioca, fui bater na porta de uma das primeiras agências do Rio e
consegui um estágio na antiga 2pG. A empresa cresceu e tive a oportunidade de trabalhar em conjunto com uma empresa dos EUA, a Sapient. Fui para Atlanta e lá aprendi a trabalhar com Arquitetura de Informação. A 2pG foi então comprada pela Promon, assim como outras empresas, como a Webra, em São Paulo. Surgiu então a Promon IP, uma bela iniciativa que, infelizmente, naufragou com o tsunami do estouro da bolha.
Da Promon IP fui para a AgênciaClick, onde fiquei mais de 3 anos e tive a oportunidade de aprender sobre planejamento e coordenação de projetos com um grupo de pessoas extremamente talentosas. Decidi então montar uma produtora on-line, a iDeal Interactive e, posteriormente, nasceu a Riot, uma agência de marketing viral.
Vox News - Quais são os maiores desafios encontrados na hora de criar e planejar uma ação publicitária online?
No começo, a criação de uma campanha publicitária online era razoavelmente simples. Você recebia uma tela estática, do anúncio impresso, e a animava. Fazia as frases aparecerem com algum efeito, o redator incluía um “clique
aqui” ao texto original e, pronto! Ai estava a sua campanha na Internet. Mas de alguns anos para cá isso mudou. E muito. Hoje em dia, é preciso primeiro pensar em como a Internet se encaixará dentro do mix de comunicação como um
todo. O ideal é que, de alguma forma, TV, impresso, mídia exterior e Internet se conversem e que a web seja, na verdade, o hub, a conexão e o suporte dessa grande teia de comunicação que é a campanha publicitária moderna. Sendo assim, o desafio para a Internet aumentou bastante, junto com as oportunidades.
Vox News - Para onde caminha a publicidade online?
Bem, ninguém ainda sabe ao certo. Em se tratando de tecnologia, a gente só consegue enxergar alguns poucos palmos à nossa frente. Ninguém conseguiu prever, por exemplo, o fenômeno do YouTube no ano passado e toda a
movimentação em torno do conteúdo gerado pelo usuário, que eventualmente levaria a revista Time a escolher o usuário de Internet como a Personalidade do Ano de 2006. O que é possível fazer é levantar alguns pontos importantes e que devem ter impacto dentro do mercado publicitário online:
- Segundo o jornal Folha de S. Paulo, a venda de computadores deve encostar na de televisões já neste ano.
- Com a difusão da IPTV, de tecnologias como a do Joost (dos criadores do Skype), do próprio YouTube e de sites de broadcast nacionais como o Videolog, de seriados multimídias como Lost, do aumento na oferta de banda-larga, a tendência é cada vez mais termos mais pessoas na Internet e menos pessoas na TV.
- A participação do usuário na geração de conteúdo é um fato irreversível.
- A publicidade que tradicionalmente interrompe a programação do usuário migra para um cenário onde ela se funde com conteúdos/serviços relevantes.
Resumindo, a publicidade online se consolida como uma mídia de massa, porém com fortes características de segmentação, interatividade e relevância. É o melhor dos dois mundos.
Vox News - O que você diria para quem quer começar a trabalhar com Internet?
Antes de trabalhar com Internet, conheça o meio, fuce, seja um heavy user. Crie um blog, se inscreva em programas de testes beta, monte o seu avatar no Second Life, marque um encontro pelo Par Perfeito (para depois descobrir que a pessoa ao vivo não se parece nada com foto), enfim, seja um amplo conhecedor do meio. A Internet oferece possibilidades ilimitadas e só quem é um apaixonado pelo meio descobre o que quer fazer efetivamente dentro da Internet. Hoje em dia, ao contrário do webmaster dos anos 90, há uma infinidade de carreiras possíveis dentro da Internet. E sendo um apaixonado pelo meio você consegue sempre se destacar na sua entrevista de estágio.
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