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O Bola da Vez é o espaço que o Vox News
reservou para, através de entrevistas, mostrar o trabalho e a
opinião de profissionais que estão se destacando no meio da
comunicação e daqueles de quem ainda vamos ouvir
falar...
Por Amanda Corrêa
Caio Abreia é sócio das produtoras Yes Filmes e Yes TV e divide seu tempo entre as empresas, a direção dos filmes, a família e outra grande paixão: veleiros.
O contato com as câmeras começou ainda criança, vendo o trabalho de seu pai, o também diretor Chico Abréia, atual diretor de criação da DM9DDB. Caio estudou cinema na UCSD em San Diego, Estados Unidos, e lá, realizou diversos curta-metragens experimentais e conseguiu seu primeiro trabalho em TV, na produção da série Baywatch. De volta ao Brasil, trabalhou como assistente de direção de diversos diretores consagrados no meio publicitário.
Em 1996, tornou-se sócio da Yes Filmes e no ano seguinte, disse “ação” pela primeira vez em um set de filmagem, dando início à sua carreira de diretor em comerciais. Logo depois, abriu seu foco para outro segmento de direção: a de videoclipes de bandas nacionais. Dirigiu clipes de Charlie Brown Jr., Ivete Sangalo e Raimundos.
Nesta entrevista, Caio nos fala mais de sua carreira, trabalhos, referências e hobbys. Confira
Vox News - Primeiro, gostaria que você contasse como surgiu o interesse pela direção?
Nasci nos sets de filmagem e desde muito pequeno me apaixonei pelo ambiente. A atração pela direção veio do desafio de transformar palavras e escritas em realidade, a sensação de dar vida as palavras,criar situações, buscar a inovação da estética e linguagem a cada dia, me davam uma sensação incrivel. Criar situações, personagens, climas é uma sensação que curto muito e não consigo ficar sem.
Vox News - E como surgiu interesse em publicidade?
Veio do meu pai Chico Abreia. Acompanhei muito seus sets de filmagem na publicidade e começei a entender o carinho e tesão com que ele realizava seus trabalhos. Sou uma pessoa agoniada por natureza e a publicidade te dá esta possibilidade de estar sempre variando. Cada novo projeto é mais um desafio, isso faz com que meu trabalho seja dinâmico e variado, um constante e prazeroso aprendizado.
Vox News - Qual a maior dificuldade nessa carreira? E os benefícios?
Os melhores roteiros são dados para os melhores diretores e os que estão começando tem que tentar aparecer com a sobra! Sem bons roteiros você não aparece, sem aparecer você não pega bons roteiros. É mais ou menos isso. O maior benefício é não ver a vida passar sentado atrás de uma mesa,no mesmo lugar, todos os dias.
Vox News - O que redatores e diretores de arte podem esperar de você como diretor?
Parceria e dedicação! Sou um cara parceiro que adora trabalhar em grupo. Dou e adoro receber opiniões. Estou sempre lutando pelo melhor resultado, sempre querendo que o filme dê certo, seja impactante, que as pessoas comentem, quero ter a certeza de que o realizei muito bem, que fiz algo diferente e único.
Vox News - Quais filmes com sua assinatura você destacaria?
Não tenho um estilo único ou segmentado. Adoro fazer filmes de situações, emoção e talbém filmes com atores, especialmente os com humor.
Na categoria emoção e situação, gosto muito das campanhas: "Qual o Segredo" da Perdigão, "Profissionais" para UNICEF, "Verão" da Leader, "Primeira Casa" institucional para Casas Bahia, entre outros.
Na categoria humor destacaria: "Dor de Cabeça" da Natan (Ganhador de Leão em Cannes), "Loja" para o Jornal do Brasil, "Esteira" para Globo.com, "Supermercado" da Peugeot, "Deborah Seco" para Vivo e "Avião" para 3M.
Vox News - Ser premiado em Cannes muda alguma coisa na vida de um diretor?
Na minha vida pessoal nada, zero! Não sou vaidoso! Os prêmios reais são conquistados todos os dias, nas pequenas coisas.
Ficar correndo atrás de prêmios não é minha onda. Como diretor tento fazer filmes sempre diferentes e criativos, se, espontaneamente, esse filme ganhar algum prêmio, show, fico muito feliz!
Porém para o mercado publicitário, os diretores premiados em festivais, sem dúvida, são mais respeitados. Depois que ganhei meu primeiro leão em Cannes as oportunidades de trabalho aumentaram.
Vox News - Como você analisa o mercado de produção no Brasil?
Muito bom, com seus altos e baixos como qualquer outro meio, porém bacana.
Vox News - E, mais especificamente, no Rio?
Infelizmente o mercado no Rio está cada dia menor. Algumas agências no Rio pensam que é melhor trabalhar com diretores de renome em Sampa, do que acreditar, participar e incentivar talentos do Rio. Um exemplo mais recente é o Manitou Felipe o Bernardo Dutra que formam a dupla 300ML.
Os caras ficaram anos e anos lutando e pedindo trabalho aqui no Rio, sem que ninguém desse oportunidade. Eles foram então batalhar em São Paulo, depois de alguma insistência os caras arrebentaram por lá e não vai demorar muito para as agências cariocas, agora sim quererem trabalhar com eles. Eles são o caso mais recente, mas tem vários nomes como eles! Resumindo, falta um pouco mais de confiança e apoio para os nossos novos talentos, fomentar o que é nosso, valorizar o mercado local como um todo. Inclusive acho que esse descrédito acaba desvalorizando as próprias agências e também o mercado total! Sem falar nesta absurda violência.
Vox News - Quais são suas referências?
Tudo, absolutamente tudo!! Vejo de tudo um pouco, misturo e a medida da necessidade as idéias aparecem!
Vox News - Como está estruturada a equipe da Yes?
A Yes está numa fase excelente, temos uma bela equipe fixa, muito competente, escritório muito bem montado, quatro ilhas de edição, duas de finalizacão, central técnica completa, galpão para arquivo de material de produção, figurino, arte. Enfim, uma estrutura ágil e completa que nos facilita muito em termos de produção. Temos realizado excelentes trabalhos e aberto portas importantes.
Vox News - Que conselho você daria àqueles que gostariam de trabalhar com produção?
Vale muito à pena se realmente amar o que faz. O retorno é bom, porém o trabalho é duro. O segredo é trabalhar sempre com dedicação e amor pelo que se faz.
Vox News - Como você libera as tensões do dia-a-dia da produtora?
Gosto muito de curtir minhas filhas, me divirto demais com elas, volto a ser criança totalmente. Outra paixão é velejar e competir em regatas, o que é muito parecido com o meu trabalho. Gosto dos barcos oceânicos onde é necessária uma tripulação grande para correr.
Vox News - No que este hobby de velejar ajuda a profissão?
Minha participação nos dois é muito parecida. Nas regatas atuo como Skipper (Comandante) e tenho que estar sempre motivando a todos, dando as coordenadas por mais sofridas e duras que sejam.
Devo ser criativo para conseguir me sobressair aos outros competidores e andar na frente, que é a minha meta sempre. Além disso, os meus sócios na produtora, Leonardo Servolo, Alexandre Mancen e Luiz Affonso, nas horas vagas também são tripulantes das embarcações nas regatas. Isto faz com que nós estejamos sempre unidos e sabendo enfrentar juntos conquistas e derrotas em tempos bons e ruins, em calmarias e tempestades.
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