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O Bola da Vez é o espaço que o Vox News
reservou para, através de entrevistas, mostrar o trabalho e a
opinião de profissionais que estão se destacando no meio da
comunicação e daqueles de quem ainda vamos ouvir
falar...
Por Amanda Corrêa
Guilherme Alvernaz iniciou sua vida profissional ainda em casa, onde aprendeu os rudimentos do desenho animado e da ilustração com seu pai, o animador Ruy Perotti. Entrou de cabeça no universo da animação em 85, quando largou a faculdade de arquitetura para se dedicar à area. Em 1988 chegou a montar a Signos Comunicações com seu pai para produzir oito filmes especiais de um minuto cada com o personagem Variguinho. Os filmes, que inicialmente seriam veiculados apenas a bordo dos aviões, acabaram ganhando também espaço na TV, dentro de uma campanha institucional da Varig.
Fruto da experiência e maturidade adquirida na área, há 6 meses Guilherme, juntamente com outros 5 sócios, abriu a mais nova produtora de animação de São Paulo, a Oca Filmes, que vem desenvolvendo diversos jobs para marcas como Motorola, Boticário e Mizuno.
Nesta entrevista, Guilherme fala mais de sua trajetória profissional, referências e expectativas para o futuro. Confira.
Vox News - Gostaria que você começasse falando um pouco de sua trajetória profissional.
Comecei a trabalhar com animação ainda com meu pai, Ruy Perotti. Desde cedo já ajudava esporadicamente com pequenos serviços, como limpar e pintar acetatos. Mas considero como início da minha trajetória profissional quando entrei no estúdio de Daniel Messias como assistente de animação, em 1985. Trabalhei lá por 2 anos e saí como animador já, atuando como freelancer. Rodei por alguns estúdios e acabei voltando a trabalhar com meu pai numa nova produtora, a Signos Comunicações. Alguns anos depois voltei ao mercado publicitário como freela novamente, prestando serviços para vários estúdios como Daniel Messias, Designers e Trattoria, onde acabei ficando como diretor de animação por algum tempo, até sair e montar a Oca Filmes com alguns colegas que conheci por lá.
Vox News - Como você decidiu que era com animação que gostaria de trabalhar?
Como toda criança, sempre gostei de desenhos animados. Adorava ir ao cinema ver os longas da Disney, tanto quando ver os seriados da Warner e Hanna-Barbera na tv. Com meu pai ainda por cima a experiência era muito mais interessante, pois como ele trabalhava já com animação, ele explicava todo o mecanismo e a toda a grandeza da arte por trás do filme. Como aqueles desenhos fantásticos chegavam até a tela. Qual o processo para se fazer um simples desenho a traço ganhar aquelas cores e a vida que se via nos filmes! E o meu interesse crescia enquanto eu o acompanhava no trabalho, espiando cada traço que saía de sua prancheta, vendo desenho a desenho como o movimento surgia e como o personagem ganhava vida. Daí para que eu mesmo começasse a desenhar meus próprios personagens foi um pulo. Assim como foi bem fácil decidir sair da faculdade de arquitetura para aproveitar a vaga que apareceu no estúdio de Daniel Messias.
Vox News - Qual o processo até chegar à arte final?
Em qualquer técnica de animação tudo começa no roteiro, a partir do qual se desenvolve um storyboard, que é uma representação visual desse roteiro. A partir daí o processo muda conforme a técnica de animação. Na técnica tradicional do desenho animado ou 2D, do storyboard partimos para o planejamento das cenas, onde se detalha cenários e a atuação do personagem. Daí vamos para a parte divertida, que é a animação propriamente dita. Aqui é onde se decupa a ação do personagem em posições chaves, ou seja, em diferentes desenhos encadeados que vistos em seqüência, dão a ilusão do movimento. O próximo passo é a intercalação desse movimento criado pelo animador, ou seja, a inserção de desenhos que fazem a ligação entre uma pose chave e outra. Como todos esses desenhos são feitos em forma de esboço ainda, temos uma terceira etapa que é a limpeza desses desenhos, ou clean-up, onde se dá o traço final às artes. Depois o desenho é escaneado e pintado no computador um por um. Aí é feita a montagem final dos desenhos na seqüência correta junto com os cenários e efeitos necessários, e após a renderização de toda essa composição, temos o filme pronto.
Vox News - Quais são suas influências?
Minhas maiores influências vêem do desenho animado que assistia quando criança. Principalmente dos seriados da Warner dirigidos por Chuck Jones. Mas não posso negar a influência que o estilo do meu pai exerceu sobre minha forma de desenhar, assim como os quadrinhos e filmes que assistia, sempre dando grande preferência a filmes de aventura, ação e ficção científica. Nesse emaranhado ainda vale citar o grande impacto que me causou a animação de Norman Maclaren, que conheci na época da faculdade, mesma época em que me abri para as artes plásticas e os grandes pintores do impressionismo.
Vox News - O que te dá mais prazer num trabalho?
A liberdade de criação. Poder cuidar desde a criação da forma do personagem até a maneira com que ele se move. É divertidíssimo fazer um personagem atuar da forma que você determina.
Vox News - Quais artistas (pintores/ ilustradores/designers) você admira?
São muitos os que admiro e vão desde os quadrinhos até os mestres renascentistas. Pescando alguns nomes posso citar dentro desse espectro, pintores como Michelangelo, Caravaggio, Degas, Klimt, Miró, Cezanne, e ilustradores de hq como Jean Giraud, Crepax, Hugo Pratt, Will Eisner, Bill Sienkiewicz, Bruce Tim... e muitos outros.
Vox News - Como você descreveria seu estilo?
Acho que é mais voltado para o cartoon mais ácido. Minha animação é mais calcada num timming mais forte e explosivo e com poses mais acentuadas e marcantes.
Vox News - Qual trabalho você tem mais orgulho de ter feito?
Fiz algumas das primeiras animações brasileiras para o Cartoon Network no estúdio do Daniel Messias. Era uma série pequena que fazia uma paródia do descobrimento do Brasil com os personagens da Cartoon. Foi bem divertido e gosto muito do resultado final. Antes disso, ainda com meu pai, fiz alguns filmes do Variguinho que ficaram legais também. Mais atualmente fiz uns filmes bem legais para os salgadinhos Assado da Fritex pela Trattoria, com personagens criados por nós inclusive. E na Oca cada filme que sai já me enche de orgulho, principalmente as peças criadas para o Canal Rural e o filme de Toddynho que estamos fazendo agora com a O2.
Vox News - Quais são seus projetos futuros?
Estou iniciando aqui na Oca a produção do meu primeiro curta metragem. A idéia é que seja a primeira de muitas produções autorais da casa. Juntamente com a consolidação da Oca Filmes no mercado publicitário, esse é o principal projeto a que me dedico agora e no futuro.
Vox News - Na sua opinião, como anda o mercado de animação no Brasil? E no mundo?
É um mercado que só tende a crescer, tanto no Brasil quanto no resto do mundo. Isso englobando os efeitos especiais em 3D nessa conta. Cada vez mais a animação em 3D substitui e acrescenta efeitos mais complexos de se fazer em filmagens com atores. E os últimos números referentes às bilheterias dos filmes longa metragem em animação mostram que o número de produções tende a aumentar no mundo todo. No Brasil, a associação de animadores está atuando de forma bem decisiva no sentido de desenvolver e implementar uma indústria de produção de animação de entretenimento. Isso será de grande importância no desenvolvimento dessa arte que, por enquanto está baseada na produção publicitária e autoral de curta metragens.
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