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O Bola da Vez é o espaço que o Vox News
reservou para, através de entrevistas, mostrar o trabalho e a
opinião de profissionais que estão se destacando no meio da
comunicação e daqueles de quem ainda vamos ouvir
falar...
Por Amanda Corrêa
O redator Paulo Roque chegou em Julho deste ano à Media Contacts, agência de publicidade on-line do Grupo Havas no Brasil, para fazer dupla, na direção de criação, com o diretor de arte, Luís Renato Constantino. Com grande experiência em off-line e below the line, Roque considera a nova empreitada um desafio e tanto, uma vez que sua experiência com internet se resumia a raros jobs. Mas como mudanças nunca foram problema para ele, a adaptação foi muito fácil e prazerosa.
Nesta entrevista, o criativo nos conta mais sobre seus desafios, modelo de trabalho e sobre a mídia internet. Confira
Vox News - Gostaria que você me contasse um pouco da sua trajetória
Vou continuar de onde parei. Na entrevista anterior, neste mesmo espaço - aqui - havia contado a minha trajetória, do início na Galvão até minha saída da Grey, em 2002, para dirigir a criação da F1RST, experiência coroada com um Cyber Lion em Cannes 2004, ano em que saí para fazer campanha política pela República, agência do marqueteiro André Torreta.
Como havia conhecido a Adriana Salles, diretora de criação da Power, em um dos meus cursos livres de cinema, quando voltei da campanha, em outubro de 2004, aceitei seu convite para trabalhar na Power. Sempre fui muito ligado em promoção, PDV, eventos, queria entender como se fazia. Dei sorte, saí dessa experiência com dois prêmios e três short list no 31º Anuário do Clube de Criação, além de muitos jobs legais e amigos idem.
Em julho de 2006, a República me chamou mais uma vez. Quando saí da campanha, estava determinado a migrar para on-line, tanto que recusei uma ótima proposta de uma excelente agência de BTL (Bellow the Line). Como a Power é cliente da Media Contacts, eu já conhecia o Luis Renato, com quem divido a direção de criação, liguei para ele e aqui estou, vibrando com as possibilidades do universo on-line.
Vox News - Como foi assumir a direção de criação da Media Contacts?
Um desafio e tanto, já que minha experiência com internet se resumia a raros jobs. O legal é que a equipe da Media Contacts é bem jovem e, como esse target é muito a minha praia, foi fácil me adaptar. Aliás, mudar nunca foi problema pra mim, o Foucault tem uma frase de que eu sou fã “Não me pergunte quem eu sou, nem me diga que eu não posso mudar”. Também ajuda o fato de eu me posicionar diante da vida como um eterno estagiário.
Vox News - Quais são seus desafios na agência?
Além dos bons resultados que sempre entregou aos clientes nas áreas de mídia on-line gráfica, novas mídias interativas, Search Engine Marketing (links patrocinados, SEO) ações virais, entre outros, a Media Contacts está investindo para também ser percebida pela sua excelência criativa.
Reestruturamos a equipe de criação e produção, estamos em busca de novos talentos no mercado, e vamos participar dos principais festivais gringos e brasileiros, começando pelo El Ojo de Iberoamerica, que acontece em Buenos Aires, e vem se firmando como um festival antenado em novas mídias, entendendo que o consumidor precisa ser abordado nos mais diversos pontos de contato. Pensando assim, eles criaram uma categoria que premia os melhores cartões postais, por exemplo.
Vox News - Que tipo de influência vocês mantém com a matriz da MC?
A Media Contacts é uma agência com grande presença internacional e isso ajuda muito na hora de oferecer ações diferenciadas aos clientes. Dispomos de todo tipo de informação, de qualquer parte do mundo, a hora que for preciso. Nossos clientes contam com um grande suporte global, que pode vir de qualquer um dos 23 países onde a Media Contacts está presente.
Nossa carteira inclui marcas como Peugeot, Citröen, Telefônica, Natura, Accor, Editora Abril, TPI/Guia Mais, Colgate, Air France, Reckitt Bencksier e WebMotors, o maior site on-line de compra e vendas de carros do Brasil.
Estamos em franca prospecção de novos clientes, e isso inclui segmentos que a Media Contacts atende lá fora e tem grande expertise.
Vox News - Quantos são hoje na criação e que modelo vocês utilizam para trabalhar?
Um dos nossos diferenciais é procurar trabalhar sempre de forma integrada com on, off e bellow the line, por acreditarmos que é o modelo que melhor condiz com a realidade global das marcas, onde a grande idéia pode vir de qualquer disciplina ou recanto. A internet ainda vive uma fase parecida com a que o rádio viveu e ainda vive, dependendo do mercado e do anunciante, que é a de pegar a campanha off-line e adaptar pra on-line. Ou o que sobrar da verba vai para internet, mas isso vem mudando mais rápido do que gostariam as agências de off-line. Alguns segmentos já colocam a internet no topo de seus planos de mídia, como é o caso de algumas escolas de idiomas, de ensino a distância e de cursos de artes.
Outro segmento que vem aumentando substancialmente seus investimentos na web é o automobilístico. Os anunciantes tendem a perceber que internet exige outra linguagem, o receptor muitas vezes não freqüenta outras mídias, a web é sua única gramática. Os internautas são rápidos no gatilho e estão cada vez mais vigilantes, o perigo é não se tornarem xiitas.
Hoje somos 15 pessoas entre criação e produção (Eu, o Luis Renato, o Naiki, o Felipe, a Silvia, O Lucas, o Thayro, o Seixas, o Rubens, o Isaias, a Priscila, o Vitela, o Bruno, o Jeferson e o Pintor) e temos planos de crescer.
O mais difícil é encontrar profissionais que tenham uma cultura 360º. As pessoas tendem a ser focadas, estanques, curtem umas coisas e desconhecem um monte de outras, mesmo tendo tudo a ver com aquilo que elas gostam, é engraçado.
Vox News - O que diferencia um criativo de internet de um criativo das outras mídias?
O cardápio é o mesmo. Em off-line eu sempre trabalhei com texto, imagem e som, os ingredientes extras são a interatividade, o foco 100% no consumidor e a precisão da resposta, que é assustadora, com alto nível de detalhamento, coisa que nenhuma outra mídia consegue entregar.
Acredito que um criativo tem que ser capaz de trabalhar para qualquer formato, para toda e qualquer marca, de todo e qualquer segmento, inclusive o político, que é um desafio hercúleo, já que se trata de um “produto” com baixíssima credibilidade.
Acho também que está surgindo um novo profissional, uma espécie de diretor de criação integrada, com vivência em todas as disciplinas, que transite entre off-line, BTL e on-line, sem privilegiar essa ou aquela disciplina, ajudando a convergir os olhares para que todos enxerguem a mesma árvore.
Vox News - O que é mais importante para um profissional de criação manter a carreira ascendente?
Nunca baixar a guarda, manter a curiosidade em alerta máxima. Normalmente as pessoas já vêm com prazo de validade, mas o meu veio com defeito. Com 80 anos eu me imagino trabalhando como hoje, ou até mais. Tem um poema do Leminski que me inspira “"Quando eu fizer 70 anos, então vai acabar essa adolescência, vou largar a vida louca..."
A meu favor eu tenho os genes: até o ano passado meus avós paternos eram o casal mais velho do Brasil, com 80 anos de casados e 101 de vida. Então a dica é aguçar os sentidos. Como a internet ainda não é Deus, ela não sabe tudo. Tem coisas que você só vai sacar se enfiar o nariz num livro, se ficar duas horas numa sala escura, se sentar na platéia de um teatro, se passar horas perambulando por galerias, se encarar multidões para ver grandes shows, enfim, tem que se jogar. Interagir com as pessoas ainda é o grande lance, ou você prefere fazer sexo virtual?
Mas nem só de cultura pop se alimenta um criativo, tem a cultura popular. E aí tem que ficar esperto pra diferenciar o que é raiz, o que é antena e o que é só candomblé pra mané, como a música sertaneja, o axé, o pagode, o teatro global, os descolados de ocasião etc etc etc.
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