|
O Bola da Vez é o espaço que o Vox News
reservou para, através de entrevistas, mostrar o trabalho e a
opinião de profissionais que estão se destacando no meio da
comunicação e daqueles de quem ainda vamos ouvir
falar...
Por Amanda Corrêa
Ainda enquanto cursava publicidade na PUC-Rio, aos 19 anos, Gabriel França de Carvalho tomou uma decisão corajosa e, ao lado de dois sócios, fundou a agência Scama. O ano era 1994. Algum tempo depois, os sócios partiram para novas empreitadas, mas Gabriel apostou em seu negócio. Mais tarde, em 2002, em sociedade com a irmã e designer Carolina França, criou o escritório de design Cadois, com o objetivo de abrir o leque de serviços da empresa sem perder o foco. Com a criação do novo 'braço', surgiu o Grupo Scama, com um posicionamento de fazer o máximo de trabalhos até o limite em que a qualidade permanecesse intacta.
Apesar de bastante jovem, Gabriel mostra bastante maturidade dirigindo a empresa. São 13 anos enfrentando os altos e baixos do mercado, com reconhecimento em alguns dos mais importantes prêmios nacionais e internacionais de propaganda.
Este ano, o Grupo estabeleceu parcerias com a agência de publicidade angolana Markitec e com a agência de publicidade portuguesa Interaction, criando uma rede de agências em língua portuguesa.
Nesta entrevista, Gabriel fala mais de suas dificuldades iniciais, diferenciais, clientes e dá sua visão sobre o mercado carioca. Confira.
Vox News - Primeiro, como surgiu a idéia de ter uma agência própria?
Em 94, ainda na faculdade de comunicação social, um amigo, Leonardo Martins, veio com essa idéia pouco convencional. Topei na hora. Aí, chamamos outro amigo, o André Stumm e criamos a agência. O nome Scama, veio das iniciais dos nossos sobrenomes (Stumm, Carvalho, Martins)
Todos nós estávamos loucos para trabalhar, já estagiando (eu prestes a começar na Denison, o Leonardo na Giovanni e André em uma outra que não lembro o nome) e achamos que não custava nada arriscar. O máximo que podia acontecer era não dar certo e ainda teríamos toda uma carreira pela frente.
Os meus dois sócios acabaram saindo da Scama e seguindo por outros caminhos e eu optei por continuar. Os três acabaram bem sucedidos, cada um em sua área e até hoje amigos.
Vox News - Sendo tão jovem, quais foram os principais desafios iniciais?
Inicialmente, a falta de verba. Como não tínhamos fonte de renda, cada um pegou um pequeno empréstimo com as famílias, alugamos uma salinha e fomos à luta, aceitando qualquer trabalho que viesse.
Depois, sofremos obviamente com a falta de experiência. Lutamos muito contra a impaciência de alguns fornecedores. Até que descobrimos que era muito mais fácil se disséssemos que estávamos começando e não conhecíamos direito o assunto. Tudo mudou. Eles passaram da irritação para a vontade de ajudar. Começaram a nos ensinar tudo pacientemente e a Scama ganhou vários colaboradores.
Vox News - Qual seria a principal característica do Grupo Scama?
Com certeza o desenvolvimento de relacionamentos duradouros. Isso vale para clientes, fornecedores e equipe. Desde que a Scama foi criada, há 13 anos, resolvemos atender a poucos clientes, para podermos nos dedicar totalmente a cada um deles, iniciando todo projeto com muito planejamento e trazendo soluções criativas diferenciadas.
Quando o mercado começou a demandar trabalhos de internet e design, criamos o escritório de design Cadois, voltado apenas para estas áreas, para não perdermos o foco e continuarmos atendendo às necessidades dos clientes. Com a criação da Cadois, surgiu o Grupo Scama, com um posicionamento de fazer o máximo de trabalhos até o limite em que a qualidade permanecesse intacta. Isso nos permitiu desenvolver parcerias duradouras e saudáveis.
Fora isso, dentro da agência, sempre fazemos de tudo para que a equipe esteja satisfeita e que faça carreira dentro da empresa. Criamos um lounge, com bar, café expresso, chá, chocolate, sofás-cama, TV a cabo e outras coisinhas, para o pessoal relaxar. Fora sessões de shiatsu, eventos e tudo o mais que ajude a transformar o ambiente de trabalho em algo agradável.
E os nossos fornecedores são cuidadosamente escolhidos. Trabalhamos com dois ou três de cada área, sempre baseados em critérios como qualidade, comprometimento e, principalmente, fidelidade. Com isso, desenvolvemos parcerias de anos com empresas e pessoas, que fazem parte da história da Scama e da Cadois, batalham ao nosso lado e entendem as nossas demandas.
Vox News - Quais foram as maiores conquistas da agência nos últimos anos?
Sempre enxergamos conquistas por diversos aspectos. Completar 13 anos de existência, com certeza é uma das nossas maiores conquistas. Numa época em que agências abrem e fecham todos os meses, é um fato que deve ser comemorado.
Ligado a isso, manter o mesmo cliente por 12 anos (Colégio e Curso pH) é outra marca considerável. Quanto a clientes, iniciamos parcerias com a Ortobom, Senac Rio, Dentsply, Parador Maritacas Resort, dentre outros.
Além disso, fomos premiados na ABP, Colunistas Rio, El Chupete (Espanha), Gramado (edição extra Buenos Aires) e CCRJ. E, por fim, a mudança para a nossa nova sede também foi um grande salto para a agência.
Vox News - E as dificuldades?
Acho que, como todas as agências, sobreviver em uma economia de altos e baixos, tentando manter o nível e, conseqüentemente, os custos e orçamentos dentro de um padrão mínimo, tendo que concorrer com sobrinhos e agências que leiloam os seus serviços.
Vox News - Como você analisa o atual mercado carioca e brasileiro de forma geral?
Por um lado, com a estabilização da economia, a tendência é de tempos melhores para todos nós. Hoje, os clientes estão mais conscientizados e já se planejam a longo prazo. A necessidade de contratar boas agências fica bem mais evidente.
Mesmo com a força do varejo no Rio, outros clientes estão aparecendo e começando a investir. Por outro lado, o fenômeno da 'sobrinhização' da publicidade me incomoda demais. Hoje, pelo menos no Rio, boas agências estão aceitando trabalhar com menos de 5% de comissão! Isso inviabiliza o negócio como um todo e estabelece um padrão perigosíssimo. Enquanto só concorríamos com os sobrinhos, era muito mais fácil buscar a diferenciação pela qualidade.
Mas o que fazer quando quem cobra um preço abaixo do necessário para se manter uma estrutura é uma agência de qualidade reconhecida? Para que fazer isso? Vale a pena fazer isso? Acho que todos perdemos. Vale a reflexão.
Vox News - Comente como funcionam as parcerias com a angolana Markitec e com a portuguesa Interaction.
As parcerias estão em fase de experimentação. A Scama e a Cadois funcionam como estruturas de criação e planejamento extra para estas agências. Todo o atendimento fica a cargos dos profissionais locais e nós ajudamos com o nosso conhecimento e criatividade. Por vezes, até a produção é feita no Brasil, no caso de Angola.
Vox News - Qual a sua expectativa para o mercado em 2008?
Acredito que 2008 marcará um grande avanço para as agências. Sempre acompanhando as boas previsões para a economia do país, devemos aproveitar este crescimento.
No entanto, marcará uma nova época de afirmação, pois sempre que há dinheiro, ocorre a entrada de muita gente nova no mercado. Cada agência terá que saber se posicionar e ser firme (principalmente as mais antigas) em suas posições para que o mercado mantenha a saúde.
Depois do furacão, ficará de pé quem tiver as raízes mais fortes e enxergar mais longe.
|