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O Bola da Vez é o espaço que o Vox News
reservou para, através de entrevistas, mostrar o trabalho e a
opinião de profissionais que estão se destacando no meio da
comunicação e daqueles de quem ainda vamos ouvir
falar...
Por Amanda Corrêa
Em seus 25 anos de carreira, Ulisses Zamboni acumula experiências das mais variadas na comunicação. Formado em Relações Públicas e Jornalismo pela Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero, dedicou os primeiros dez anos de sua carreira à Assessoria de Imprensa com especialização e foco no gerenciamento de crises. Graças ao trabalho de Relações Públicas para AT&T na Young & Rubican Brasil, Ulisses migrou para o Departamento de Atendimento da Agência.
Depois, aceitou o desafio internacional de trabalhar na Europa para a TBWA Internacional, onde ficou por 4 anos. Ainda teve experiências internacionais nos EUA e na Cidade do México. Voltou ao Brasil em em 2000 como Diretor de Planejamento da Giovanni,FCB (SP). Exerceu a função de Chief Operating Officer do escritório de São Paulo e fez parte do Conselho de Planejadores para as Ferramentas Proprietárias do Grupo FCB no mundo.
Em maio de 2006, associou-se a dois outros diretores da Giovanni e fez surgir no mercado publicitário, a Santa Clara, onde atua como Sócio Diretor de Planejamento.
Nesta entrevista, Ulisses fala mais sobre sua carreira, os desafios de montar a Santa Clara, modelo operacional da agências e estimativas para o futuro. Confira.
Vox News - Fale um pouco sobre sua carreira, sua trajetória até chegar a Santa Clara.
Sou jornalista por formação. Cumpri minha missão jornalística por 11 anos até entrar para a publicidade. Nesses 11 anos fui assessor de imprensa para várias empresas multinacionais em agências de RP americanas (Hill & Knowlton e Burson Marsteller). Num dos trabalhos como assessor de imprensa para um cliente lá nos Estados Unidos (a AT&T) fiquei envolvido com os trabalhos de propaganda corporativa da empresa e "migrei" definitivamente para a propaganda.
Morei nos Estados Unidos 1 ano e meio, depois, de volta, trabalhei como atendimento na Y&R. Fui convidado pela antiga Lintas (atual Lowe) para desenvolver um projeto de homecare para Unilever para países emergentes (India, Brasil e México). Fiquei lá por mais um ano e meio e me mudei pra Alemanha, a convite da TBWA Chiat Day de NY [para atender BDF NIVEA]. Morei na Europa por dois anos; mudei-me para a Cidade do México para atender NIVEA na América Latina e depois de mais um ano, voltei para Europa para atender BIC (no cargo de planejamento de marca em apoio à pesquisa de mercado mundial).
Voltei ao Brasil por motivos pessoais e fiquei 6 anos na Giovanni, FCB como Diretor de Planejamento e nos últimos anos como Chief Operating Officer do escritório de São Paulo. E, agora, há 1 ano e meio com minha própria agência.
Vox News - Como surgiu a idéia de montar a Santa Clara?
Quando nós sócios da Santa Clara - Fernando Campos, Fernando Sales e eu - percebemos que os processos de realização de trabalhos da agência que estávamos estava esbarrando em obstáculos burocráticos que não previam olhar para algo diferente que não fosse os 30" e a página dupla, resolvemos estudar novos modelos de negócio de comunicação que fazem sucesso no mundo e implementar essas boas práticas no mercado brasileiro.
Olhamos a Naked, a Nitro, Mother, e percebemos que não só o processo de trabalho teria que ser alterado como também o modelo de negócio (remuneração).
Vox News - Qual a diferença entre trabalhar em uma agência européia, uma multinacional e agora uma sua?
A diferença fica por conta dos recursos e da infra-estrutura das agências. Mas apesar de ajudarem - não são fundamentais para o resultado final da entrega técnica. Veja a Argentina, por exemplo. A falta de recursos dos últimos anos tornou a propaganda Argentina uma das mais competitivas (e profundas) do mundo. A palavra-chave disso é criatividade: nos processos, na investigação, no orçamento e por aí vai.
Agora, a Santa Clara tem mais similaridades do que diferenças às agências mais maduras da Europa e Estados Unidos. É a senioridade.
Vox News - Gostaria que fizesse um balanço de primeiro ano de atuação da agência.
Analiso o ano de 2007 no que diz respeito à performance técnica. Ela é evidenciada pela quantidade de prêmios e menções que recebemos esse ano. Em apenas 18 meses ganhamos Leão de Bronze em filme no Festival de Cannes 2007, Medalha de Prata no Clube de Criação de São Paulo, Lápis de Bronze no One Show, Prêmio de Mídia do Estadão, prêmio Melhor do Rio, categoria Web do Clube de Criação do Rio de Janeiro e conquistou um ouro, uma prata e um bronze no Festival El Ojo de Iberoamerica, além do prêmio de melhor filme brasileiro com In a Man´s life para o Discovery Channel.
Vox News - Quais foram os principais desafios deste período?
Se puder eleger apenas um desafio, coloco um que representa pelo menos 50% do nosso esforço todos os dias que é o desafio da construção da reputação da Santa Clara. Somos todos aqui, de forma individual, muito reconhecidos no mercado. Gente sênior com visibilidade e talento individual reconhecidos. Mas, quando falamos em "coletivo" temos que provar dia após dia que a parte faz um todo muito melhor. A construção da reputação [que gera credibilidade, dá estatura, prestígio etc] é o desafio diário mais intenso.
Vox News - Qual é o modelo de atuação da Santa Clara e como ele funciona?
Conto o milagre, mas não conto o Santo, ou melhor a Santa!! Mentira, na verdade, modelos se copiam talentos não. O modelo rompe com a velha fórmula em "linha de produção" de uma agência tradicional: atendimento que leva o briefing para o planejamento que leva o briefing para a criação e mídia [que não se conversam entre si] e que separadamente devolvem seus trabalhos para o atendimento que lembra que tem que fazer um briefing para o "cara" de digital para "adaptar" a criação de TV.
O mundo contemporâneo acontece de forma sinérgica e paralela. Ou seja, reproduzimos no modelo da agência uma realidade do mundo lá fora. O briefing entra e TODOS o vêem. Forma-se um comitê que responde à demanda e aí sim, cada um individualmente aprofunda a resposta em suas áreas. Muitas vezes, as funções se mesclam e as atribuições também, ou seja, um bom planejamento às vezes sai do diretor de arte que por sua vez aceita da mídia um insight criativo e por aí vai.
Mundo dos sonhos para muita gente por aí que acontece sim aqui na Santa Clara. E só acontece porque "somos seguros de nossos skills e generosos com o outro".
Vox News - Quais são suas atribuições na agência?
Primariamente planning. Sou responsável por exercitar um olhar crítico e profundo em tudo que se faz na agência, tanto nos trabalhos dos clientes como na própria dinâmica operacional na agência. Tudo tem que ter coerência. Se não tiver, serei eu o culpado.
Vox News - Qual a visão da agência em relação aos diversos festivais de publicidade?
Não entramos em todos os festivais. Temos a coerência (de novo a palavra-chave de minha responsabilidade) de escolher os festivais que exercitam o "novo" e valorizam olhares mais contemporâneos da realidade do consumidor. É o caso dos internacionais Cannes, El Ojo, One Show. Escolhemos apenas as peças que realmente têm chances de se destacar e peças que foram feitas para o cliente, não para o Festival, se é que você me entende...lembra-se que estamos construindo reputação?
Vox News - Quais são as expectativas para 2008?
O ano de 2007 foi bondoso conosco porque em boa parte do segundo semestre do ano, trabalhamos e ganhamos uma concorrência, que gerará boa parte do crescimento do ano de 2008. As perspectivas, além dessa conquista são excelentes.
Estamos sendo, de forma espontânea, procurados por companhias para suas concorrências de marcas. É uma surpresa que sejamos assim tão convidados às concorrências uma vez que temos apenas 18 meses de existência. Acho que a tal reputação a ser construída está gerando resultados. Não só, somos procurados por grupos internacionais e nacionais para associações. E, claro, recebemos a todos com carinho e orgulho, mas ainda nos parece um pouco prematura a venda da Santa Clara nesse momento.
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