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O Bola da Vez é o espaço que o Vox News
reservou para, através de entrevistas, mostrar o trabalho e a
opinião de profissionais que estão se destacando no meio da
comunicação e daqueles de quem ainda vamos ouvir
falar...
Por Amanda Corrêa
A Tycoon, uma das maiores produtoras do Brasil, está voltando ao mercado publicitário, depois de muitos anos trabalhando exclusivamente para a Rede Globo. Volta com uma nova estrutura organizacional, com a proposta de produzir filmes de extrema qualidade com custos mais baixos que os praticados normalmente.
À frente da direção publicitária está Kiko Lomba, que desde seus 15 anos já monta seus próprios comerciais. Diretor com formação na Universidade da California e na National Film School em Londres, Kiko tem dirigido filmes não só no Brasil, mas também nos Estados Unidos, Espanha, Portugal e Islândia.
Nesta entrevista ele nos conta mais sobre a produtora, seus diferenciais, suas influências e fala de sua visão sobre a profissão. Confira
Vox News - Fale da nova fase da Tycoon, estrutura e pessoal.
A Tycoon tem tradição em inovar. Nós fomos pioneiros na Barra da Tijuca, fomos a primeira produtora a possuir uma videola (precursor do telecine), inauguramos a era digital com equipamentos de efeitos, somos ainda a única produtora com uma infra-estrutura completa de estúdios de filmagem de verdade. Voltamos agora ao mercado publicitário com uma estrutura organizacional moderna, enxuta, capaz de produzir filmes de extrema qualidade com custos mais baixos que os praticados normalmente e investimos pesado na modernização da nossa pós-produção e captação, e hoje somos provavelmente a única produtora no Brasil capacitada a captar, editar e finalizar filmes em 2k, totalmente in-house.
Investimos tambem em pessoal, especialmente no Atendimento com a Mariana Levy, que é uma super-profissional, e estamos trabalhando na capacitação de profissionais para o cinema digital.
Vox News - Qual o diferencial dessa câmera Silicon Image 2K?
É uma camera fantástica. Ela une o melhor das câmeras de película com a praticidade do digital. Toda a parte ótica é a mesma das cameras de 35, as lentes, os acessórios, etc, mas ela grava em cartuchos digitais com uma resolução de 2150 linhas - comparando com o HD por exemplo são 1080...Estamos realizando vários testes e o resultado é surpreendente, especialmente para publicidade.
Uma pergunta que sempre tenho que responder é: Não, não é a RED.... Ela é uma concorrente da RED e, na minha opinião, oferece mais recursos e um workflow melhor definido, o que resulta num resultado final mais refinado, melhor acabado, que é o que estávamos procurando.
Vox News - Me fale de você. Como surgiu seu interesse pela direção?
Desde muito cedo tive 3 paixões: a música, fotografia e computadores. Isso é interessante porque despertou minha criatividade tanto de forma artística (na música) quanto na lógica da programação dos computadores. Na direção eu consigo usar esses meus dois lados. O criativo caótico e o criativo lógico e racional. O desafio é saber dosar os dois, meio como acertar a quantidade certa de arroz com o feijão.
A questão da imagem é muito forte tambem. O desafio de a partir de uma idéia, um conceito, visualizar uma imagem e conseguir traduzir isso de forma convincente visualmente é incrivelmente sedutor para mim.
Vox News - Qual a maior dificuldade nessa carreira? E os benefícios?
A maior dificuldade é se estabelecer como Diretor. Afinal, o que faz de uma pessoa Diretor? Demorei alguns anos para conseguir provar meu talento e sempre é uma combinação de um pouco de talento, muito trabalho e muita sorte também. Sou meio CDF, e estudei muito, me preparei de verdade para poder me apresentar como diretor.
O que mais gosto da profissão é não ter uma rotina definida. Cada produção é um desafio novo, uma nova experiência!
Vox News - Como você analisa o mercado de produção no Brasil, comparado ao dos EUA?
Minha experiência pessoal nos Estados Unidos foi mais de formação profissional, mas vejo por alguns amigos diretores, produtores e roteiristas americanos que a grande diferença está provalvelmente no fato de que existe de fato uma indústria de entretenimento, que faz com que a profisssão de diretor por exemplo não seja muito diferente de um advogado, médico ou qualquer outro profissional liberal. O que quero dizer é que existem os Spielbergs da vida, mas um verdadeiro exército de diretores, e profissionais anônimos, trabalha de forma consistente nos mais diversos tipos de produção, ganhando a vida com dignidade. Aqui no Brasil isso não acontece. É um nicho onde poucos de fato conseguem uma carreita sólida.
Vox News - E, mais especificamente, no Rio?
A escala aqui é menor ainda.
Vox News - O que redatores e diretores de arte podem esperar de você como diretor?
Sem cair na armadilha do auto-elogio, tento sempre absorver ao máximo as expectativas da criação e do cliente e com isso oferecer soluções tanto no nível artístico quanto técnico (sob o ponto de vista audiovisual) que possam enriquecer de fato o conceito, e com isso fazer a diferença no produto final.
Sob o ponto de vista estético, tenho muitas influências, mas prefiro me preparar para cada job de forma individual. Pesquiso muito, busco referências e estudo o tipo de linguagem que vou usar em cada filme. Não gosto de repetir fórmulas, por isso, talvez, meu portifólio tenha filmes bastante díspares um do outro, em termos de fotografia, linguagem, movimento de câmera.
Vox News - Quais filmes com sua assinatura você destacaria?
Normalmente gosto mais do último filme que fiz. Mas acho que o filme que rodei na Islândia ficou muito bonito. Tenho um carinho especial, pois esse filme tem um quê de autoral. O roteiro era um pouco diferente mas a criação da Artplan foi super receptiva, entendeu e trabalhou minhas propostas e acabamos todos na Islândia, num frio de -25C, ventos de 80km/h, mas valeu o resultado.
Vox News - Quais são suas referências?
Estou sempre buscando novas. Nos diretores, sou apaixonado pelo estilo inglês de filmar. Tanto os modernos como os grandes mestres. Poderia citar Alexander Mackendrick e Ridley Scott por exemplo.
Mas gosto de buscar referências nos grandes pintores, músicos, fotógrafos - não necessariamente em outros diretores.
Vox News - Que conselho você daria para quem quer trabalhar com produção?
Nós sempre damos oportunidade aos estudantes de cinema que nos procuram para acompanhar, assistir a filmagens, trabalhar como estagiários, etc. E quase sempre me surpreende a total falta de qualquer noção sobre o nosso trabalho! A maioria dos estudantes enxerga nossa profissão como algo puramente intelectual, quando isso na verdade é apenas parte. Muito da produção é físico, intenso, e requer muito conhecimento técnico, caso exista qualquer pretenção de se obter um resultado estético satisfatório. Então meu conselho é não ficar parado e sim buscar conhecimento prático, manusear o equipamento entender as lentes, enfim busque uma intimidade com as nossas ferramentas de trabalho, o que garanto, será muito útil ao longo de sua carreira.
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