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O Bola da Vez é o espaço que o Vox News
reservou para, através de entrevistas, mostrar o trabalho e a
opinião de profissionais que estão se destacando no meio da
comunicação e daqueles de quem ainda vamos ouvir
falar...
Por Amanda Corrêa
O brasileiro Edson Athayde construiu uma trajetória de sucesso em Portugal, tornando-se uma grande referência no mercado publicitário lusitano. Ocupou posições destacadas como Vice-Presidente e Diretor de Criação da Ogilvy Portugal e da Young&Rubicam, entre outras agências. Além disso, o criativo também já foi apresentador de televisão, colaborador de várias publicações e escritor.
Como escritor, está lançando seu sétimo livro intitulado "O Endireita", que chega ao mercado brasileiro pela Internet, sendo o primeiro livro do mundo em conformidade com o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa lançado no Brasil e em Portugal. O lançamento em Portugal foi no final de maio, onde foi a primeira publicação a ser
totalmente apresentada pela internet. O novo título promete agitar ainda mais o mercado português e também o brasileiro, onde o livro vai virar uma peça teatral.
Em um novo momento de sua vida, Athayde parte para Los Angeles para estudar cinema, mais especificamente roteiro e direção. Nesta entrevista o publicitário nos conta sobre seu período em Portugal, das diferenças entre os mercados, sobre seus livros e planos para o futuro. Confira
Vox News - Conte um pouco da sua trajetória no exterior.
Tudo começou quando milhões de brasileiros votaram no Collor. O país era pequeno demais para nós dois. Daí, juntei uma mixaria e vim para a Lisboa no ano de 1991 com a cara e a coragem (ah, e o meu portfólio). Bons tempos
aqueles em que bastava isso para conseguir algumas oportunidades. Revirei as páginas amarelas e liguei para agências. Uma das que me atenderam foi a Young & Rubicam (na época liderada pelo brasileiro José Eduardo Cazarin,
hoje um bom amigo). Fui contratado. A coisa deu certo. Passado pouco mais de um ano fui promovido a Diretor de Criação. A coisa deu certo. Passados mais alguns meses fui promovido a Vice-Presidente. A coisa deu certo. Passados
mais alguns meses fui promovido a Diretor de Criação para a Península Ibérica (Barcelona, Madri e Lisboa). A coisa até deu certo, mas com apenas 28 anos eu já parecia um velho de tanto stress (cheguei a apanhar cinco
aviões num mesmo dia). Pedi para sair. Fui ser consultor de um Primeiro-Ministro de Portugal que havia acabado de ajudar a eleger. Tempos depois passei pela RTP (então o maior canal de TV do país) e fui parar no Conselho de Administração de um dos maiores grupos de comunicação de
Portugal. Atuei como publisher e relancei os dois dos mais antigos e importantes jornais portugueses.
Fiquei com saudades da publicidade. Montei uma agência (a Edson Comunicação) e assumi em simultâneo a presidência da FCB Lisboa. A coisa deu tão certo que, passados dois anos, os gringos propuseram a fusão das duas agências. E daí nasceu a Edson, FCB (que sempre esteve no TOP 5 das agências portuguesas), que chegou a ganhar o prêmio de
Melhor FCB do Mundo, devido à qualidade do seu trabalho (e os resultados dos seus negócios). Mais dois anos e vendi a minha parte na sociedade. Fiquei três anos viajando e a viver de papo para o ar. Fui convidado a assumir a Vice-Presidência da Ogilvy Portugal. Topei. Trabalhei três anos e ajudei na transformação de uma agência deficitária numa das melhores do país (e da rede Ogilvy na Europa). Pelo meio disso tudo ganhei algumas centenas de prêmios e nomeações nos mais importantes festivais do mundo. E também 7 Leões em Cannes (além de mais de 30 finalistas). Acho que resumindo muito, foi mais ou menos isso aí.
Vox News - Qual a diferença que você vê na propaganda européia e a brasileira?
Infelizmente, as duas publicidades já foram mais diferentes. A brasileira era uma versão muito bem temperada da americana. Era meio bossa nova (uma
coisa entre o samba e o jazz). Era muito verbal, muito bem humorada. Era simples (até pela falta de dinheiro). A européia sempre foi mais visual, mais conceitual e, muitas vezes, de gosto duvidoso e confusa. Hoje, a maioria dos publicitários brasileiros sonha em fazer publicidade holandesa ou alemã. O problema é que só uma parte deles tem talento para isso. E verba. O resultado é uma publicidade incaracterística, que poderia ser (melhor) feita noutra parte qualquer do planeta.
Vox News - 'O Endireita' é seu sétimo livro. Fale um pouco dele e de sua experiência como escritor.
Sempre gostei de ter vários projetos paralelos a minha atividade publicitária. Uma delas foi tornar-me cronista de alguns dos maiores jornais e revistas do país. Disso nasceu o gosto pela ficção. E quando vi estava publicando livros. Gosto imensamente disso. É uma das coisas que me dá mais prazer em fazer. Inclusive, me ajuda na publicidade. A minha mão para escrever roteiros de TV ou de rádio evoluiu muito depois da minha experiência como cronista e contista. Hoje tenho dificuldade em separar as
coisas. Escrevo e pronto. Se, é um comercial ou um livro não faz para mim muita diferença.
Vox News - Existem planos de transformá-lo em uma peça de teatro?
Os planos são mais do que planos. Já há uma produção em andamento, sob a batuta do encenador José Henrique de Paula. Ainda não há data de estréia, mas a idéia é que seja ainda este ano (em São Paulo).
Vox News - Por que você decidiu abandonar a propaganda para estudar cinema?
Acho que é fácil falar que o mundo está mudando e continuar com a cabeça na mesma. Nunca fui assim e gosto de provar que sou coerente nas minhas ações. Acredito que o profissional de criação do futuro será multimedia. Logo,
quero aprender e experimentar novas formar de comunicação. Há quatro anos, passei um ano dedicado à música. Montei uma banda, produzi um CD, montei um espetáculo, produzi um DVD (quem tiver curiosidade basta pesquisar no
YouTube: Davi Não Vê Estrelas, para ter uma idéia do que é). Aprendi imensamente com isso tudo. Voltei para a publicidade. Mas voltei melhor. Agora é a hora do cinema.
Vox News - Como você vê o futuro da comunicação?
Acho que terei uma melhor noção depois de morar o próximo ano nos EUA. É lá que tudo está acontecendo. É de lá que virá os novos formatos, as novas regras, os novos limites. Daí eu quer tanto viver lá. Quero sentir na pele a coisa toda. Não quero mais ouvir discursos sobre o futuro em segunda mão. Daqui a um ano, se quiser, faça-me a mesma pergunta. A resposta será mais precisa e concreta do que posso dizer hoje.
Vox News - Você pretende voltar a trabalhar no Brasil algum dia?
Não penso no assunto. Até agora a minha prioridade tinha sido Portugal. Mas sinto vontade de traçar novos vôos, ampliar meus horizontes. Pela lógica isso não passaria pelo Brasil. Estaria mais próximo de outros lugares. Mas,
mesmo português, sou brasileiro. Pode ser que um dia tenha vontade de exercer a minha atividade aí. Restará saber, quando for e se existir essa hora, se o Brasil teria algum interesse em me ver a trabalhar por aí.
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