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O Bola da Vez é o espaço que o Vox News
reservou para, através de entrevistas, mostrar o trabalho e a
opinião de profissionais que estão se destacando no meio da
comunicação e daqueles de quem ainda vamos ouvir
falar...
Por Redação
Cada vez mais marcas investem na construção de sua identidade. Hoje muito se fala sobre branding e linguagem visual que identifica a marca em cada detalhe. A novidade é o sound branding, que dá uma linguagem sonora própria à marca. Empresas como Intel, Motorola e Apple entenderam a importância do som na comunicação e já são reconhecidas no mundo todo pela sua logo sonora. No Brasil, a pioneira no assunto é a Zanna Sound, fundada pela cantora e compositora Zanna que já assina trabalhos para Banco do Brasil, Amil, Icatu Hartford, entre outros. Confira o bate papo com o Voxnews.
Vox News - Para começar, em poucas linhas, o que é o sound branding?
Zanna - O sound branding é o processo de transformação do conceito, da linguagem visual da marca em linguagem sonora.
Vox News - Qual a importância do sound branding para uma marca?
Zanna - Para a marca ter o sound branding desenvolvido significa posicioná-la em um novo sentido – a audição -, além de criar uma ferramenta potente de lembrança e disseminação da marca.
O som tem o poder de mover multidões, assim vemos ao longo da história em concertos que marcaram décadas. Artistas do som se tornam grandes marcas. Marcas também podem virar grandes pop stars e atrair a milhões de fãs. O sound branding possibilita tudo isso. É preciso ter um posicionamento sonoro pensado, em total sintonia com seu branding e expresso consistentemente por todos os cantos da comunicação.
Vox News - E o que te atrai na criação de uma marca sonora para uma empresa?
Zanna - Desenvolvemos uma metodologia exclusiva na construção de marcas sonoras ao longo desses três anos de vida e de experiências com pequenas, médias e grandes marcas. Em cada caso um grande aprendizado e construção. Hoje, chegamos num formato quase infalível de tradução do conceito da marca em som. Mas, é sempre um desafio encontrar um universo novo pela frente, o desconhecido!
O que mais me estimula é entrar de cabeça na história, nas experiências de sucesso e insucesso, entender profundamente os significados que a marca está jogando no mundo e depois de tanto aprofundamento e, finalmente, parir seu som. Conhecer de perto uma marca é como conhecer uma pessoa.
Na verdade fazemos tudo em conjunto com os criadores, pensadores e executores das marcas com as quais trabalhamos. Criar coletivamente e ser o veículo que possibilita o nascimento da criança é recompensador.
Vox News - Você morou fora do País 15 anos. Como o sound branding é tratado lá fora?
Zanna - Quando eu comecei, ainda em Nova York, a pensar nessa possibilidade de se construir marcas através do som, eu não conhecia ninguém que trabalhasse com isso. Quando eu comentava sobre o assunto, eles achavam interessante, mas, não entendiam bem do que eu estava falando. Talvez porque a minha forma de apresentar ainda estivesse “verde”.
Já em Cannes, esse ano, encontrei algumas empresa, em particular uma da Holanda que cria marcas sonoras. Mas ainda não sei bem a abrangência deles. Pelo que eu tenho visto, eles estão bastante focados em criar apenas logos sonoras (plim plim, da Rede Globo, por exemplo). Na Zanna Sound, há tempos entendemos que o SOM é muito mais abrangente. Sound branding para nós é a linguagem sonora que traduz a marca em som em todos os momento da comunicação sonora, e não somente na hora de assinar um comercial na TV.
Assim como as marcas estão criando sua linguagem visual através da fotografia, texturas, cores e design, podem também, criar sua linguagem sonora através da harmonia, ritmo, instrumentação, escala. Que depois vai se espalhar por toda a comunicação desde sua telefonia, até aos eventos de música que escolhe estrategicamente patrocinar.
Vox News - A ZS assina a trilha que a Embratur esta usando na campanha Brasil Sensacional. Como foi o processo?
Zanna - Muita pesquisa e um sentimento de orgulho constante. Imagine você que fui a “gringa” em terras estrangeiras apresentando a música brasileira para os ouvidos destreinados deles. Lá fora, não havia ninguém com mais vontade e propriedade pra criar esse tema musical de forma que eles possam nos entender, sem que perdêssemos nossa identidade. Pesquisamos muitos estilos passando pelo Brasil todo: maracatu, frevo, bossa, afoxé, samba regae, samba enredo, todos convivendo no mesmo arranjo. Misturamos elementos facilitadores como a melodia que passeia confortavelmente em cima de todos os ritmos, o violão sujo, o piano sofisticado e uma gangue de metais brincalhões pra dar elementos que pudessem ser familiares. Depois uma super produção como não se costuma ver por aí na publicidade. Mais de 20 músicos dentre eles: cordas, metais, percussões e vozes costurando um arranjo complexo e simples ao mesmo tempo. O Brasil merece!
Vox News - E o que representa ter criado a trilha que divulga o Brasil no exterior?
Zanna - Eu saí do Brasil quando houve o impeachment do Collor. Absolutamente desacreditada da possibilidade daquele Brasil dar certo. Com o passar dos anos, aos poucos, ia me sentindo fazendo parte de lá, mas nunca me convenci completamente. Meus cabelos bagunçados e a minha espontaneidade nunca me fizeram esquecer daqui. Voltei nas eleições do Lula, que pra mim na época, como para maioria do povo brasileiro, foi um momento de virada. Voltei cheia de vontade de finalmente ver finalmente o Brasil ser o “país do futuro”.
Mesmo ainda em Nova York, eu já estava comprometida com o “Sonho Brasil”. Estamos bem na fita lá fora há muito mais tempo do que o brasileiro médio pode imaginar. Compor para divulgar o Brasil no exterior é dar sentido e significado aos anos que passei por lá como peregrina da música brasileira.
Vox News - Para finalizar, nos conte também um pouco da sua carreira como cantora e compositora.
Zanna - Comecei tocando flauta, violão, cantando e compondo, quase tudo aos meso tempo. Trabalhei profissionalmente a partir dos 14 anos cantando e compondo jingles pra marcas baratas e fazendo shows pelo interior do Rio com banda. Já gostava de Chico, Tom, Elis, Yes, Rick Wakeman e fazia minhas músicas. Saí daqui aos 20 anos com o dinheiro de um fusquinha. Cheguei na Europa já com metade do fusquinha e um violão debaixo do braço.
Depois de muita estrada e música, de beber da fonte de Sakamoto, Massive Attack, Bjork e me misturar, tive meus momentos de fama. Já nos últimos quatro anos de estadia com a Banda Bossa Nostra, gravamos dois discos, com várias faixas minhas, fomos tocar em Montroux, abrimos show pro Herbie Hancock, Morcheeba, Noa, fizemos turnês pelo mundo, a música Jackie estourou nas baladas cult da Europa.
Larguei a banda no seu auge e fui pra Nova York. No meio tempo parei no Brasil pra lançar "Elétron musica by Zanna", com Carlos Trilha e ver o Lula se eleger. Lá, montei meu primeiro Estúdio Digital e “emburaquei” nos programas de música que me dariam a liberdade sonhada de produzir minhas próprias idéias. Hoje acho que sou uma das raras produtoras musicais daqui. Adoraria encontrar as outras da minha espécie. Tem alguém aí? mandem seus e-mails falecomzanna@zanna.net .
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