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O Bola da Vez é o espaço que o Vox News
reservou para, através de entrevistas, mostrar o trabalho e a
opinião de profissionais que estão se destacando no meio da
comunicação e daqueles de quem ainda vamos ouvir
falar...
Por Redação
O Bola da Vez traz neste início de 2010 uma entrevista com o diretor de arte carioca Guilherme Pecego, associate creative director da DDB Dubai. Após quase um ano e meio trabalhando no Oriente Médio, Pecego comanda um dos grupos criativos da agência que atende clientes como Pepsi Snacks, Tropicana, Gatorade, Volkswagen, Quaker, BBC Persia e BBC Arabia.
Antes de embarcar para Dubai, Pecego atuou como diretor de arte na Agência3 e na McCann-Erickson, ambas no Rio de Janeiro. Nessa entrevista, o criativo revela que tem planos de retornar ao Brasil, e conta como funciona a publicidade em um país mulçumano – as suas dificuldades e particularidades. Confira.
Vox News - Primeiro, como surgiu o interesse de ir para Dubai?
Guilherme Pecego - O interesse surgiu junto com a proposta. Não foi nada planejado. Eu estava negociando com uma agência no Barhein onde quem tocava a direção de criação era o Dudu (hoje na JWT - SP), mas infelizmente as negociações não foram em frente, só que o contato ficou. Quando o diretor de criação da DDB Dubai o procurou perguntando sobre diretores de arte interessados na região ele me indicou e assim começamos a conversar até me convencer com a ideia de vir pra cá. Claro que sempre tive o interesse em conhecer outros mercados, mas nunca pensei que seria um tão diferente assim.
Vox News - Quais as características culturais do País que podem prejudicar a criação de uma campanha?
Guilherme Pecego – Primeiro, devo dizer que acho que características culturais nunca prejudicam uma criação, e sim, a torna mais desafiadora. Aqui, como em qualquer país muçulmano, temos que tomar cuidado para não chocar a população com uma imagem ou palavra que, para nós do ocidente (e ainda mais brasileiros), jamais seria ofensiva. É interessante pensar que estamos falando com um consumidor que não cresceu conosco e que não tem as mesmas referencias que nós. Mas têm outras, das suas próprias raízes, que muitas vezes nos dão os insights necessários para acertamos o tom que devemos nos comunicar. Cada lugar no mundo tem seu próprio estilo de ser, aqui não seria diferente. Cabe a mim (e a qualquer outro que trabalhe no exterior) se adaptar e estudar o mercado para poder entregar-lhe uma campanha pertinente as necessidades do mesmo.
Vox News - Você está há pouco tempo na agência e já assumiu um cargo de direção. Qual a responsabilidade?
Guilherme Pecego - Houve remanejamento interno e o diretor de criação Adham Obeid assumiu o cargo de diretor executivo e confiou a mim o seu antigo cargo. Confesso que não vim pra cá com esse objetivo, mas fiquei satisfeito por ter conquistado a confiança da DDB nesse pouco tempo. Sendo que "pouco tempo" em publicidade é relativo, já que em nosso mercado tudo que foi feito ontem já ficou velho hoje... Mas neste um ano e meio que estou aqui junto com Adham, conseguimos aumentar a qualidade criativa e de produção da nossa agência, conquistamos novos e grandes clientes como Road and Transport Authority Dubai, Wrigley's e uma nova cartela de produtos Pepsi Snacks.
Ao mesmo tempo afinamos a equipe de forma que a qualidade da nossa propaganda aumentou muito em todas as duplas da agência. Agora, para este ano de 2010, estamos focando nos prêmios regionais e internacionais para colocarmos a DDB Dubai no mapa. Como podem ver, a responsabilidade é grande.
Vox News - Trabalhos assinados por você têm a participação de fornecedores brasileiros. Será uma tendência?
Guilherme Pecego - O Brasil é notório por exportar a qualidade de seus fornecedores. Não deixamos a desejar em nada aos padrões internacionais. Muito pelo contrário. Somos, muitas vezes, referência e ensinamos muito para o mercado aqui de fora. Seria uma inconsequência minha não me utilizar da expertise e talento dos antigos e novos parceiros que sempre colaboraram com meus trabalhos em terras tupiniquins. Por isso, sim. Diria que será uma tendência uma vez que consigamos atender aos prazos sem a "interferência" do fuso horário.
Vox News - O que esses fornecedores têm que você não encontra em Dubai?
Guilherme Pecego - O talento. Aqui em Dubai não estamos bem servidos de bons manipuladores de imagem. A dupla fotografo-manipulador não existe ainda no nosso mercado. Então já que o manipulador não está em contato direto com o fotografo antes do set, precisamos de gente com capacidade de pegar o trabalho já desenvolvido e colocar suas próprias ideias na mesa numa fase mais avançada do projeto. Coisa que os fornecedores daqui não fazem. Essa paixão pelo trabalho e a busca pela qualidade que tornam nossos fornecedores mais expoentes que os daqui.
Vox News - A agência também trabalha com fornecedores da Europa?
Guilherme Pecego - Sim, sendo os Emirados Árabes um ponto central nesse lado do mundo trabalhamos muito com fotógrafos e diretores de outros países. Já que a facilidade deles virem para cá ou nós irmos para lá é quase tão simples quanto a ponte aérea RJ-SP (muitas vezes feita por nós aí no Brasil). Basicamente todos nosso filmes são rodados no exterior. Nossos fornecedores vêm tanto da Europa quanto Cingapura, Austrália, Índia ou África do Sul. Essa é uma das grandes vantagens da nossa localização no globo. Estamos relativamente perto para podermos trabalhar e trocar nossas experiências com grandes talentos mundo afora.
Vox News - Como você avalia o mercado publicitário da região?
Guilherme Pecego - Quem acompanha os festivais internacionais pode perceber que o nível de qualidade aqui é bem alto. Campanhas bem desenvolvidas estão conquistando grande prestígio para a região. Claro que o mercado ainda não é uma potência, mas está indo bem e cada vez mais focado em ser reconhecido como tal. Assim como o boom da Ásia anos atrás estou vendo as agências do Oriente Médio se ajustando e querendo uma fatia do bolo. Acredito que com tempo e os investimentos de grandes clientes que são feito na região podemos apostar que grandes nomes vão com certeza surgir daqui.
No entanto, por ser um mercado relativamente novo, ainda sinto a falta de uma "cara" para a publicidade da região, Tudo ainda é feito nos padrões internacionais sem prestigiar a herança que a região tanto preserva. Acho que a agência que conseguir atingir esse objetivo é que vai despontar para o mundo e deixar a marca de onde veio... Mas, essa é uma opinião pessoal, posso estar errado.
Vox News - Você tem planos de retornar para o Brasil?
Guilherme Pecego - Claro. Desde o primeiro dia encaro essa vinda como uma experiência. Não sei quanto tempo ela vai durar nem pra onde vai me levar. Mas, invariavelmente espero voltar e poder dividir tudo que tenho aprendido por essas andanças. Quando estamos envolto numa cultura tão diferente da nossa é que vemos o quanto somos moldados pelos valores da nossa terra. O Brasil é minha casa. Um dia eu “tô” de volta.
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